Denúncia do Ibama reduz protestos de madeireiros no Pará

Acuados pelas denúncias de fraudes em 1.263 planos de manejo, feitas ontem pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama),os madeireiros de várias regiões do Pará reduziram a intensidade dos protestos que haviam programado contra a fiscalização e apreensão ilegal de toras extraídas da floresta amazônica. Apenas a rodovia PA-140, no trecho entre os municípios de Tomé-Açu, Quatro-Bocas e Paragominas foi interditada por algumas horas. Em Altamira e em outros municípíos do sudeste paraense manifestações contra o Ibama e a presença de ambientalistas do movimento Greenpeace no Estado não causaram maiores problemas ao tráfego de veículos ou ameaça de invasão de prédios públicos. O tom dos discursos contra o governo federal foi um só: ou o Incra promove a regularização fundiária em áreas de extração madeireira, para que o Ibama aprove os projetos de manejo, ou novas manifestações serão realizadas no Estado, inclusive com o fechamento de rodovias. O advogado do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Vale do Acará, Jorge Pimentel, disse que as manifestações de ontem serviram para "denunciar os prejuízos que o Ibama tem trazido para a atividade madeireira". Ele citou o exemplo de vários projetos de manejo suspensos pelo Ibama sob a alegação de que os títulos de posse emitidos pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária e pelo Instituto de Terras do Pará não tinham validade. "Não somos bandidos, queremos trabalhar", dizia uma faixa levada por um madeireiro durante a manifestação em Tomé-Açu. Em nota, a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Estado do Pará (Aimex) e a União das Entidades Florestais do Pará (Uniflor) criticaram a publicação do relatório do Ibama sobre fraudes praticadas por empresas que atuam no setor. Segundo as duas entidades, elas tomaram conhecimento das irregularidades "apenas pela imprensa", reclamando não terem sido avisadas pelo Ibama. Mas ressaltam que não apóiam qualquer atitude ilegal ou clandestina. "Da mesma forma que o Ibama, apoiamos as fiscalizações e a penalização dos infratores, desde que isso seja feito de acordo com a lei. Afinal, todas as manifestações que o setor tem feito no Estado são, justamente, para que os órgãos públicos nos dêem condições de trabalhar dentro da legalidade".

Agencia Estado,

28 de novembro de 2003 | 19h10

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