Ethevaldo Siqueira / Arquivo pessoal
Ethevaldo Siqueira / Arquivo pessoal

Depoimento: A emoção e o privilégio de assistir a viagem à Lua na Nasa

Repórter que cobriu pelo 'Estado', a partir da Nasa, a viagem da Apollo 11 conta como foi a decolagem do foguete Saturno V e o momento do pouso histórico

Ethevaldo Siqueira, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2019 | 10h30

Eu posso contar a meus filhos e netos que eu estava lá. Eu vi a conquista da Lua na Nasa  –  na Flórida e em Houston. É claro que não tive nenhum mérito nesse trabalho de repórter. Fui, sim, um privilegiado por poder estar lá, e poder acompanhar, como jornalista, há exatos 50 anos, todos os momentos gloriosos da Apollo 11.

A você, leitor, eu afirmo com toda honestidade: a cobertura da conquista da Lua me proporcionou duas das maiores emoções de minha vida. A primeira, às 9h32 de 16 julho de 1969, no momento da decolagem do Saturno V, na Flórida. A segunda, quatro dias depois, no dia 20 de julho, quando eu e mais 400 milhões de seres humanos pudemos testemunhar o gesto icônico de Neil Armstrong, ao pousar o pé na superfície da Lua.

A grande diferença é que eu estava lá e via tudo de perto, desde a partida dos astronautas no gigantesco foguete, estacionado na histórica plataforma de lançamento 39A, do Centro Espacial Kennedy, da Nasa. Eu não tinha a menor ideia do impacto que seria ver a uma distância de apenas um quilômetro e meio a decolagem do Saturno V, que pesava mais de 2.900 toneladas e tinha 110 metros de altura. Mesmo com fones protetores de ouvido, o ruído me parecia ensurdecedor. Mas aquilo era apenas o começo de uma histórica jornada de oito dias de duração.

Como repórter, em começo de carreira, eu me sentia feliz e orgulhoso por estar lá, sentado na plataforma reservada a centenas de jornalistas de todo o mundo, no Cabo Canaveral. Dali eu podia ver a multidão de centenas de milhares de pessoas nas estradas vizinhas, nos campos próximos ao Centro Espacial Kennedy e nas praias ao norte e ao sul da base de lançamentos. 

E tudo correu conforme previsto. A única coisa que nos surpreendeu foi a emoção que nos invadiu quando o Saturno V começou a subir lentamente. Dali para frente perdi a ideia do tempo. Com as informações da Nasa, soubemos que, após completar uma volta e meia em torno da Terra, e duas horas e 44 minutos depois do lançamento, o último estágio do Saturno V reacendeu para uma segunda ignição de cinco minutos e 48 segundos, para colocar a Apollo 11 na órbita definitiva, rumo à Lua.

O que nos importava, em realidade, é que naquela nave estavam três astronautas, dois deles com a incrível missão de caminhar sobre o solo lunar.

Quatro dias depois, a Apollo 11 entrava em órbita lunar. Diante de um telão, junto ao Centro de Controle de Missões da Nasa em Houston, eu via tudo, com antecedência de alguns segundos em relação ao resto do mundo. Assim, pude ver todas as etapas da descida na Lua, naquela grande tela, com a imagem chuviscada em preto e branco, inclusive o momento culminante, ocorrido às 22h56 do dia 20 de julho de 1969 (hora da costa leste dos EUA), ou 23h56 de Brasília.

Foi nesse exato instante que Neil Armstrong colocou seu pé direito sobre a superfície lunar e pronunciou, emocionado, as palavras memorizadas durante meses: “Um pequeno passo para o homem, um grande salto para a humanidade".

Minha grande alegria é repetir hoje: Eu estava lá, em Houston, naquele dia 20 de julho de 1969.

Assista à entrevista do jornalista Ethevaldo Siqueira à TV Estadão

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