Depois de 30 anos, Billings terá prova náutica

Depois de 30 anos de ausência, a represa Billings voltará, neste fim de semana, a sediar uma prova náutica. A I Taça Case de Vela será realizada na Sede de Campo do Instituto de Engenharia de São Paulo, em São Bernardo do Campo, e tem a finalidade de recuperar a imagem da represa como opção para o iatismo.Berço de grandes campeões da vela do país, a Billings foi abandonada pelos esportistas quando a poluição, vinda do rio Pinheiros, a deixou praticamente sem vida. Na falta dos velejadores, que abandonaram o esporte ou migraram para outros locais, como a represa Guarapiranga, os clubes desativaram sua parte náutica ou simplesmente fecharam. A proibição do bombeamento da água do Pinheiros, a partir de 1992, determinada pela Constituição paulista, fez a qualidade da água melhorar na última década. No entanto, o estigma da poluição continuou a afastar os praticantes da vela. ?A água da Billings está boa na maior parte da represa há algum tempo, só que as pessoas não sabem disso. Por isso vamos fazer esta regata festiva, para mostrar o potencial do lugar para toda uma geração que nunca velejou no local?, diz Jorge Ubirajara Cardoso Proença, coordenador do Núcleo Pró Vela do Movimento de Defesa da Vida do ABC, organizadora do evento, junto com o Grupo de Proteção de Mananciais de Eldorado.Segundo Proença, treze barcos, ?depois de vencidas as resistências?, foram inscritos na prova, que acontecerá nas tardes de sábado e domingo. ?A Billings é quatro vezes maior do que a Guarapiranga, tem 60% de seu entorno em unidades de conservação e, por estar próxima à Serra do Mar, conta com ótimos ventos. Por isso tem tudo para se tornar um grande destino para esportes e ecoturismo?, defende o velejador e ecologista, que luta há décadas pela recuperação da represa.Para Ubirajara, o processo de despoluição da Billings é irreversível e nenhum governo terá a coragem de voltar atrás. ?A lei sobre o bombeamento do Pinheiros é clara: só pode acontecer se houve antes a despoluição. O movimento ecológico é bastante organizado na região e está vigilante?, diz.AlgasPara a Companhia de Tecnologia em Saneamento Ambiental de São Paulo (Cetesb), não há nenhum inconveniente na realização de provas de iatismo na Billings. ?Monitoramos semanalmente oito praias do reservatório, onde existe maior utilização para recreação, e, via de regra, as águas estão próprias?, diz Lineu José Bassoi, gerente do Departamento de Recursos Hídricos e Assistência Técnica da Cetesb.Segundo Bassoi, ?considerando apenas os índices de coliformes fecais - critério básico para determinar a balneabilidade das praias -, as águas estão quase sempre próprias. Porém, quando a Billings apresenta quantidade excessiva de algas, classificamos a praia como imprópria?, explica. Nas três primeiras semanas de fevereiro, cinco praias foram consideradas próprias. As outras três estiveram próprias na primeira semana e impróprias nas outras duas, pela presença de algas. A Billings ainda recebe parte dos esgotos do ABC e do bombeamento do Pinheiros, que é autorizado no caso de enchentes. ?Essa matéria orgânica, dependendo da temperatura e transparência da água, entre outros fatores, propicia o crescimento acelerado de algas, que podem ser tóxicas. Por isso a água é imprópria para contato primário?, explica o gerente da Cestesb.Conforme Bassoi, a Cetesb não tem o poder de autorizar ou impedir a prática de esportes na represa, mas informa regularmente a balneabilidade às prefeituras e aos clubes da região, para que possam orientar a população.

Agencia Estado,

21 de fevereiro de 2002 | 17h15

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