Deputado palestino diz que Vaticano é crucial para 'paz justa'

Embora respeite a mensagem vaticana, Fayez al-Saqqa não descarta o caráter político da visita do papa

Efe

10 de maio de 2009 | 10h20

Às vésperas da visita que o papa Bento XVI inicia nesta segunda, 11, em Israel e Cisjordânia, o deputado do movimento Fatah pelo distrito de Belém Fayez al-Saqqa, diz acreditar que "o papel do Vaticano é fundamental para aproximar o sonho e a esperança" de uma solução para o conflito regional. "Uma paz para acabar com a ocupação e permitir a nosso povo viver livre e soberano em nossa terra", disse.

 

Bento XVI visitará Belém na próxima quarta-feira. Estão sendo feitos os últimos preparativos para a estadia do pontífice.

 

"O santo padre não é qualquer visitante. Representa a moral do mundo, o afã de paz e convivência entre as pessoas, porque esta foi a mensagem de amor, convivência e fraternidade que nosso Senhor lançou de Belém, de nossa terra", diz Saqqa.

 

O deputado palestino pede que o papa continue transmitindo com sua visita a mensagem de Jesus, porque "o que Belém e a Palestina mais precisam neste momento é exatamente de paz e justiça".

 

Separada de Jerusalém por um alto muro de concreto, com sua economia castigada por oito anos de cerco e várias décadas de ocupação israelense, a população de Belém receberá com grande alegria o papa, e espera dele um "abraço" que os ajude a seguir carregando sua difícil situação.

 

"Esperamos que o santo padre dirija uma mensagem de paz, de amor às pessoas, mas também que (diga que) a paz e o amor precisam de liberdade, porque o que mais necessitamos é liberdade", diz.

 

Embora respeite a mensagem vaticana de que a peregrinação do papa pela Terra Santa é de caráter "religioso", Saqqa considera difícil separar a política.

 

"Eu, como cristão e palestino, não posso entender a religião sem o sentimento das pessoas. A religião deve ver a dor e o sofrimento, Cristo disse isso ao dar sua mensagem aos pobres, perseguidos e marginalizados", afirma.

 

Saqqa pode entender que Bento XVI "não queira falar diretamente de política", mas, afirma, naquele território, "a vida de todas as pessoas está intimamente ligada à situação política".

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