Derrame de rejeitos comprometeu agricultura de Cataguases

Um relatório técnico elaborado pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e divulgado nesta terça-feira pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) conclui que as atividades agrícolas da área afetada pelo vazamento, no dia 29 de março, de um reservatório de rejeitos químicos em Cataguases, na Zona da Mata mineira, estão ?comprometidas?.O rompimento de uma barragem da Indústria Cataguazes de Papel Ltda. atingiu a zona rural do município mineiro e as bacias dos rios Pomba e Paraíba do Sul, naquele que é considerado o maior desastre ambiental do País.De acordo com o relatório do IMA, ?as características físico-químicas observadas no solo podem tornar-se mais críticas, em razão da maior interação entre os resíduos e o ambiente?.O relatório indica que existem alterações químicas no solo das áreas atingidas, como o aumento dos valores de pH e da concentração de sódio, ?que comprometem? a estrutura física e o ?uso agrícola?. Foi constatado também um aumento das concentrações de metais nas amostras de forrageiras, arroz, cascas e folhas de angico.Mas, segundo comunicado da Feam, as plantas não demonstraram sinais de intoxicação, e fatores não associados ao acidente podem ser responsáveis pelo aumento de algumas substâncias. O relatório informa ainda que ?não foram encontrados níveis anormais de chumbo e arsênio no soro sangüíneo coletado em bovinos, eqüinos e suínos que tiveram contato com a água e os vegetais afetados?.Entre os dias 8 e 17 do mês passado, os técnicos do IMA coletaram amostras de solo, plantas, sementes, além de soro sanguíneo de animais da região atingida. O instituto recomenda ?um monitoramento sistemático do solo, de plantas e animais, a execução de um estudo sobre o impacto sócio-econômico do acidente sobre as propriedades, trabalhadores e proprietários, e a realização de estudos técnicos para adoção de alternativas que corrijam as alterações físico-químicas nos solos afetados?.Na última sexta-feira, representantes da empresa Iberpar Empreendimentos e Participações Ltda., controladora da Florestal Cataguazes, empresa que faz parte do mesmo grupo da Indústria Cataguazes de Papel e dona do terreno onde está situada a barragem que se rompeu, do Ministério Público Federal e dos ministérios públicos dos Estados atingidos pelo desastre ambiental, firmaram em Brasília um Termo de Ajustamento de Conduta, que implica a adoção de medidas emergenciais para evitar a ocorrência de novos acidentes.

Agencia Estado,

13 de maio de 2003 | 21h28

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