Descoberta molécula ligada à síndrome de Down

Pesquisadores do Instituto de Psiquiatria do King´s College, de Londres, identificaram uma molécula que poderá ser usada para tratar a deficiência mental em pessoas com a síndrome de Down. Eles descobriram que pessoas com a síndrome têm níveis mais elevados da molécula mioinositol em seus cérebros.Eles também descobriram que níveis mais altos dessa molécula são associados com a redução da capacidade intelectual. O estudo foi publicado na revista científica Arquivos de Psiquiatria Geral.Os cientistas também suspeitam que níveis elevados de mioinositol poderiam predispor as pessoas com síndrome de Down a desenvolver sintomas da doença de Alzheimer. A molécula é conhecida por promover a formação das placas amilóide, uma característica da doença de Alzheimer.Quando elas completam 40 anos de idade, quase todas as pessoas com a síndrome de Down apresentam as características da doença de Alzheimer, embora nem todos desenvolvam demência.Os pesquisadores usaram uma tecnologia sofisticada de escaneamento para medir as concentrações de mioinositol nos cérebros de 38 adultos com síndrome de Down e 42 pessoas consideradas saudáveis.Concentração reduzida?Mostramos nesse estudo que adultos com a síndrome de Down possuem uma concentração significativamente mais elevada de mioinositol na região do hipocampo de seus cérebros, e este aumento está associado a uma reduzida capacidade cognitiva?, disse o pesquisador Declan Murphy, líder do estudo.Segundo Murphy, agora novos estudos estão sendo realizados para verificar se é possível reduzir a concentração de mioinositol nos cérebros de pessoas com Down.A síndrome de Down é a causa genética mais comum de deficiência mental. Ela ocorre quando uma criança possui três cópias do cromossomo 21, mais que as duas usuais. Recentes pesquisas mostraram que um dos genes no cromossomo 21 controla a produção de uma proteína que bombeia a molécula mioinositol dentro do cérebro.Os elevados níveis de mioinositol nos cérebros de pessoas com síndrome de Down podem ser explicados pelo fato de que essas pessoas têm uma cópia extra do gene responsável por esse bombeamento.A Associação da Síndrome de Down disse que a pesquisa era bem-vinda, mas não indica uma ?cura? para a condição.

Agencia Estado,

06 de dezembro de 2005 | 14h28

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