Descobertas as rochas mais antiga do planeta Terra

Localizadas no norte do Canadá, elas se mantêm sólidas há mais de 4,2 bilhões de anos

Carlos Orsi, estadao.com.br,

25 de setembro de 2008 | 16h24

Rochas semelhantes ao basalto, encontradas no norte do Canadá, podem ser as mais antigas testemunhas das origens da Terra, existindo virtualmente inalteradas há mais de 4,2 bilhões de anos. Cientistas acreditam que o planeta e todo o Sistema Solar formaram-se 4,6 bilhões de anos atrás, e que a Terra já contava com uma crosta sólida há 4,3 bilhões.   "A questão, agora, é determinar se essa rocha que descobrimos compôs a primeira crosta da Terra, se a crosta primordial era diferente da crosta de basalto de hoje", diz o principal autor do artigo que descreve a descoberta, Jonathan O'Neil, da Universidade McGill, no Canadá. Embora semelhante ao basalto, a rocha de 4,2 bilhões de anos tem algumas diferenças em sua composição, e foi classificada como uma "falsa anfibolita". O trabalho de O'Neil está na edição desta semana da revista Science.   O'Neil e seus colegas dataram a rocha, encontrada no norte de Quebec, a partir do decaimento de um elemento químico presente na composição original do material, o samário 146 (146-Sm), em outro, o neodímio 142 (142-Nd). Como os átomos de samário se transformam em neodímio a uma taxa conhecida, a conversão pôde ser usada como cronômetro para determinar a idade da rocha.   "O sistema 146-Sm/142-Nd extingue-se após 4,1 bilhão de anos. Depois disso, não há mais 146-Sm,  porque todo ele se converteu em neodímio", explica O'Neil. "Então, para termos assinatura que achamos, ela tem de ter sido registrada antes disso".   Uma explicação possível para a presença dessa assinatura, diz o cientista, é que a rocha seja mais jovem, mas tenha sido misturada a vestígios de um manto de mais de 4,1 bilhões de anos e rico em "terras raras leves", a família de elementos a que o samário e o neodímio pertencem. "Cientistas acreditam que esse manto enriquecido existe, mas nunca foi encontrado. Se for esse o caso, nossa rocha é a primeira prova dele", diz O'Neil.   Mas o cientista diz acreditar mais em outra possibilidade: a rocha canadense é, toda ela, original, diferentemente de outras rochas muito antigas descobertas antes.   Alguns minerais australianos, exemplifica O'Nieil, já foram datados de cerca de 4,3 bilhões de anos atrás, mas estavam incorporados a rochas mais novas: a matriz antiga foi desgastada pela erosão e os minerais, altamente resistentes, acumularam-se como grãos de areia e se consolidaram depois.   "Mas as rochas que datamos de 4,2 bilhões de anos são as rochas originais que se formaram a 4,2 bilhões de anos. Elas estão preservadas, diferentemente das rochas australianas", afirma o cientista.

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