Descobertas cerâmicas com 4.680 anos em SC

Arqueólogos brasileiros descobriram peças de cerâmica indígenas datadas de 2860 a.C. em Santa Catarina, que se tornam das mais antigas das Américas. O diretor do Laboratório de Arqueologia da Universidade do Sul de Santa Catarina, Maurio Aurelio de Masi, explicou à Agência Lusa que a idade das peças de cerâmica foi estabelecida na semana passada, através do método carbono 14, num laboratório da Flórida. A margem de erro é de apenas 40 anos, precisou.As peças, encontradas em fevereiro em escavações feitas para a construção de uma central hidrelétrica em Campos Novos, têm as características dos índios Xokleng.Os únicos registros desse grupo indígena existiam em outra região do Estado de Santa Catarina, Vale do Rio Canoas, mas datavam do ano 200 d.C., o que representa uma diferença de quase 3.000 anos."A descoberta vai obrigar-nos a rever os nossos conhecimentos sobre as migrações feitas pelos indígenas durante todo este período, pois pensávamos que os Xoklengs tinham chegado muito mais tarde", declarou o cientista.Uma outra análise do laboratório identificou vestígios de vegetais nos potes de cerâmica, indicando que eram usados para cozinhar alimentos. "Pensamos que os Xoklengs eram nômades e viviam da caça e da recoleção. Estes objetos mostram que eram sedentários e cultivavam a terra", sublinhou Masi.A maior parte dos objetos - potes e pontas de lanças - estava enterrada a 40 cm da superfície, tendo sido recenseados cerca de 260 sítios arqueológicos.As cerâmicas mais antigas das Américas são as de Valdivia, no Equador, e datam de 3200 a.C., segundo Masi.Existem hoje cerca de 350.000 índios no Brasil, de 245 etnias e com mais de 180 línguas, numa população total de 170 milhões de habitantes, que não passava de 5 milhões à chegada dos portugueses, em 1500.

Agencia Estado,

04 de junho de 2004 | 13h43

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