Descoberto cativeiro de traficantes de animais

A descoberta de um possível cativeiro "de passagem" do tráfico internacional de animais silvestres, hoje, em Petrolina, Pernambuco, foi um resultado da parceria entre o Ministério Público (MP) e o Ibama, estabelecida para melhorar a proteção ambiental do rio São Francisco.A partir de uma denúncia feita à Linha Verde do Ibama, a fiscalização pediu a colaboração da promotora de Justiça Ana Rúbia Torres de Carvalho, que solicitou um mandado de busca e apreensão ao juiz criminal e acompanhou os fiscais do Ibama até o cativeiro. Foram apreendidos dois filhotes de onça pintada e 147 aves, entre ararajubas, tucanos e diversas espécies de arara e papagaio, em vários estágios de desenvolvimento, de recém nascidos a adultos. Uma parte das aves estava num quarto da casa, transformado em viveiro, e o resto se dividia em 84 gaiolas.O principal acusado, Nenias Belo Marinho, e o parceiro, conhecido apenas como "Paraíba", não estavam no local. Apenas uma menor de 16 anos, companheira de Marinho, foi detida. Segundo informa o fiscal do Ibama Josenilton José dos Santos, a menor foi autuada e prestou depoimento. Os animais foram encaminhados para um centro de triagem, em Recife, que definirá quais podem ser soltos e quais terão de permanecer em cativeiro."A procedência de algumas aves, originárias do Pantanal e de outras localidades distantes, soma-se a alguns outros indícios, de que este era um cativeiro de ´passagem´, onde se reuniam os animais para depois serem enviados ao exterior, pelo aeroporto internacional", diz Ana Rúbia. "Talvez até fosse um cativeiro alugado por um atravessador".Os traficantes contariam com a vantagem de estar no sertão nordestino, longe dos aeroportos mais visados, mas com acesso internacional, já que por ali se exportam as frutas produzidas no perímetro irrigado do São Francisco. "Os indícios levam a crer que Petrolina seja uma rota do tráfico internacional de animais silvestres", diz a promotora. "Mas o pior é o incentivo aos traficantes, derivado das penas muito leves, até imorais, aplicáveis nestes casos: detenção de 6 meses a um ano, com o acréscimo de, no máximo, mais seis meses, se forem espécies ameaçadas de extinção. É risível, é como enfrentar fuzis AR-15 com pedras do sertão". Para ela, a legislação precisa ser mais contundente. A perspectiva de punições muito brandas é um fator de incentivo aos traficantes, por tornar o crime compensador e dificultar a ação do Ministério Público.

Agencia Estado,

20 de março de 2003 | 16h04

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