Descoberto sapo sem pulmões que respira pela pele

Pesquisador supõe que o sapo evoluiu para adaptar-se à vida em águas de correnteza rápida

Associated Press,

10 de abril de 2008 | 14h08

Um sapo, descoberto numa região remota da Indonésia, não tem pulmões e respira pela pele. Segundo pesquisadores, o achado poderá ajudar a compreender o que impulsiona a evolução em determinadas espécies.   O sapo aquático Barbourula kalimantanensis foi encontrado na província de  Kalimantan, na ilha de Bornéu, durante uma expedição realizada em 2007, disse o biólogo David Bickford, da Universidade Nacional de Cingapura.   O Barbourula kalimantanensis, que parece um 'Jabba achatado', segundo cientista      Bickford tomou parte na expedição e é co-autor do artigo que descreve o animal, publicado na revista Current Biology. Segundo o biólogo, este é o primeiro sapo desprovido de pulmões conhecido pela ciência e se une a uma curta lista anfíbios que partilham da característica, incluindo algumas poucas espécies de salamandra e uma criatura conhecida como ceciliana.   "Estes estão entre os sapos mais antigos e bizarros que se pode encontrar no planeta", disse Bickford. "São como uma versão achatada de Jabba o Hutt", afirmou, numa referência ao vilão dos filmes de Guerra nas Estrelas. "São chatos e têm olhos que flutuam acima da água".   O cientista indonésio Djoko Iskandar, colega de Bickford, encontrou o sapo pela primeira vez há 30 anos, e vinha procurando um novo espécime desde então. Ele não sabia que o animal não tinha pulmões até dissecar oito exemplares no laboratório. Outros cientistas afirmam que o fato de característica ser partilhada pelos oito indica que a ausência de pulmões é comum à espécie, e não uma aberração.   Bickford supõe que o sapo evoluiu para adaptar-se ao ambiente em que vive, onde tem de navegar em águas geladas, de correnteza rápida e ricas em oxigênio. "Trata-se de uma adaptação radical, provavelmente propiciada pelas correntes", disse ele, acrescentando que a ausência de pulmões ajuda a reduzir a flutuação do sapo, aumentando sua resistência ao arrasto da água.

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