Descobertos mais quatro planetas fora do Sistema Solar

Três deles formam um sistema que parece 'versão em escala' do Sistema Solar; outro fica relativamente perto

Carlos Orsi, do estadao.com.br,

13 de novembro de 2008 | 17h47

Astrônomos anunciam na edição desta semana da revista Science a descoberta de quatro novos planetas extra-solares, como são chamados os mundos localizados fora do Sistema Solar. Todos esses planetas - três deles, membros de um mesmo sistema - foram avistados diretamente e um deles, em órbita da estrela Fomalhaut, foi fotografado, em luz visível, pelo Telescópio Espacial Hubble.   Descoberto sistema solar com dois anéis de asteróides  Satélite Corot detecta 'terremotos' em três estrelas distantes  Fotografado planeta em órbita de estrela semelhante ao Sol   A maioria dos 322 planetas extra-solares descobertos anteriormente foi encontrada de forma indireta: a existência desses mundos foi deduzida a partir de perturbações nas estrelas que orbitam. Já os quatro novos planetas foram avistados diretamente, três deles por meio de radiação infravermelha captada por telescópios na Terra e o de Fomalhaut, emitindo uma luz alaranjada detectada pelo Hubble.   Os três planetas que compõem o sistema da estrela HR8799, localizada a 128 anos-luz da Terra, são descritos pelos descobridores como "uma versão em escala maior do Sistema Solar exterior", correspondendo a versão ampliadas  dos gigantes gasosos Saturno, Urano e Netuno.   Eles argumentam que, como HR8799 é mais brilhante que o Sol, sua "linha de neve" - a distância a partir da qual a temperatura no espaço é baixa o suficiente para permitir a formação de gelo sobre fragmentos de rocha, o que serviria como semente para planetas gigantes gasosos - também fica mais afastada. A posição desses três planetas, em relação a seus correspondentes no Sistema Solar, segue uma proporção semelhante à prevista pelo afastamento da linha de neve.   Um dos descobridores do novo sistema, o canadense Christian Marois, diz que é possível que haja outros planetas no sistema, talvez mesmo um planeta rochoso - uma versão em escala da Terra. "Fazendo a escala da luminosidade, a órbita de uma Terra ficaria a 2,2 UA (2,2 vezes a distância que separa a Terra do Sol) e, se fiz as contas direito, essa órbita duraria 2,7 'anos terrestres'. O sol deles pareceria mais azulado, já que a estrela é mais quente que o Sol".   HR8799 é uma estrela jovem e, sendo mais quente e mais brilhante, durará menos que a idade atual do Sol, que é de pouco mais de 4 bilhões de anos. "Essa estrela é 50% mais massiva que o Sol e cinco vezes mais luminosa", explica Marois. "Ela terá uma vida mais curta, de 3 bilhões de anos, enquanto o Sol deve durar, ao todo, 10 bilhões".   A detecção dos planetas a partir de telescópios baseados na Terra foi possível, diz o astrônomo, graças ao uso de óptica adaptativa - onde os espelhos do equipamento se ajustam para compensar as flutuações na atmosfera terrestre - e de detectores de radiação infravermelha em grandes telescópios, o que começou a ocorrer há menos de uma década. "E eu desenvolvi uma técnica de observação em meu doutorado que ajuda bastante ao remover, no processamento de dados, a luz da estrela, o que permite detectar os planetas que ficariam ofuscados".   Se HR8799 é uma estrela distante, Fomalhaut fica na vizinhança - a 25 anos-luz da Terra - e seu planeta foi detectado não por meio de radiação infravermelha, mas de luz visível. Ele foi visto como um ponto alaranjado em movimento em meio ao anel de poeira que cerca a estrela, entre 2004 e 2006. O planeta, batizado Fomalhaut b, tem massa estimada em três vezes a de Júpiter e fica a 119 UA da estrela.   Fomalhaut também é uma estrela mais intensa e menos duradoura que o Sol. "Ela tem o dobro da massa solar e sua luminosidade é 16 vezes maior", explica o principal autor do artigo que  descreve a descoberta, Paul Kalas, da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Sua expectativa de vida é 1 bilhão de anos".   O fato de o planeta ter se mostrado visível numa foto do Hubble sugere algum tipo de propriedade excepcional, diz o cientista. "Uma hipótese é que  Fomalhaut b esteja cercado por um gigantesco sistema de anéis, maior que o de Saturno, que está refletindo luz na nossa direção".   Fomalhaut é uma estrela visível a olho nu, e uma das estrelas mais brilhantes no céu. "É muito fácil de ver no céu do Brasil durante os meses de  inverno", diz Kalas. "Para nós (no hemisfério norte), é uma estrela de verão, que fica muito perto do horizonte". Fomahault marca a "boca" da constelação do Peixe Austral.

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