Descobridor das células-tronco induzidas pede regulamentação

Cientista japonês teme que nova técnica seja utilizada para criar 'seres humanos em laboratório'

EFE,

09 de janeiro de 2008 | 16h43

O cientista japonês Shinya Yamanaka, que ficou famoso ao descobrir a possibilidade de criar células-tronco sem a necessidade de empregar embriões, pediu nesta quarta-feira, 9, que o uso desse método seja regulamentado, em função dos problemas éticos que ele pode gerar.   Entenda as células-tronco induzidas      Durante uma conferência no Clube de Correspondentes Estrangeiros de Tóquio, Yamanaka disse que seu método está livre de problemas morais relacionados à destruição de embriões humanos e poderá ser usado, em um futuro ainda não determinado, para o tratamento de doenças como o mal de Parkinson e o câncer.      No entanto, a nova tecnologia, que foi apresentada em novembro, oferece ferramentas para criar vida humana em laboratório, um avanço que entra no campo da ética.      O pesquisador pareceu concordar com a "regulamentação" porque sua descoberta pode ser usada para "fazer algo ruim", dada a relativa simplicidade da tecnologia necessária para seu desenvolvimento.      Yamanaka trabalha na Universidade de Kyoto na criação de células-tronco induzidas, que têm as mesmas funções que as células-tronco, mas os cientistas não usam embriões humanos para gerá-las.      O pesquisador japonês emprega apenas células da pele humana, de modo que desaparecem todos os problemas éticos que até agora travaram a pesquisa com células-tronco em muitos países.      No entanto, Yamanaka disse que com a tecnologia "poderiam ser criadas células sexuais humanas" e surgem novos assuntos que levantam problemas éticos, motivo pelo qual pediu a regulamentação das tecnologias.      Após o desenvolvido de seu método, as células-tronco induzidas poderão ser aplicadas no tratamento do mal de Parkinson, de lesões da coluna vertebral, do câncer e de uma longa lista de doenças.      Yamanaka lidera a linha de pesquisa de células-tronco induzidas na Universidade de Kyoto, um campo em que muitos laboratórios americanos também trabalham. O cientista japonês considera os outros centros de estudo como "amigos", embora confesse notar o "estresse" que a forte concorrência gera.      De acordo com o pesquisador, a concorrência é "boa para os pacientes".      O cientista japonês foi cirurgião, e durante a entrevista disse trabalhar "para curar seres humanos, não ratos".      Com relação ao uso clínico de seus métodos, Yamanaka apontou que as possibilidades das células-tronco induzidas são tão amplas que o tempo necessário para seu desenvolvimento dependerá de cada uma das aplicações.      O pesquisador japonês afirmou hoje que esta tecnologia já pode ser aplicada na indústria farmacêutica.

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