Desculpe, sua compra não foi autorizada

Está nas mãos do software de segurança validar (ou não) o uso do cartão de crédito no exterior. Saiba o que fazer em caso de bloqueio ou cancelamento

14 Setembro 2010 | 10h33

 

Virou rotina. Entre arrumar a mala e fazer o check-in no voo, o administrador de empresas Fábio Garcia reserva alguns minutos à tarefa de ligar para o banco e passar a lista das cidades que visitará, com datas de chegada e partida de cada destino. Não que goste de fornecer informações pessoais a desconhecidos. Trata-se de precaução contra o risco de ter o cartão de crédito bloqueado em plena viagem.

 

O cuidado nem sempre dá resultado. A trabalho, ele viaja com frequência. Nem assim consegue ficar livre de situações embaraçosas como precisar da gentileza de um amigo, em Amsterdã, para pagar sua conta no restaurante. Depois de usar o cartão em Seattle, Dallas e São Paulo em menos de uma semana, foi bloqueado na capital holandesa.

 

As administradoras não divulgam o número de cartões de crédito de brasileiros bloqueados ou cancelados no exterior. Mas reconhecem que a situação é comum. Culpa (ou mérito, depende do ponto de vista) dos softwares de segurança, cuja função é identificar potenciais fraudes.

 

Robô. Cabe ao banco emissor - e não a Visa, Mastercard e American Express, bandeiras mais populares no Brasil - estabelecer parâmetros de segurança. As restrições variam. Mas há pontos em comum entre os softwares. Todos funcionam em um esquema que os especialistas chamam de neural. À medida que o cartão é usado, o sistema armazena as características de cada transação. Com o tempo, cria um histórico pessoal do cliente. Ou seja, quem viaja com frequência ao exterior tem menor chance de ver o cartão de crédito recusado.

 

O comportamento coletivo é levado em conta. Há dez anos, um turista que usasse o cartão em Dubai tinha grande chance de ter a transação bloqueada. Hoje, com a popularização da cidade árabe como destino de férias dos brasileiros, os softwares "entendem" que não há nada de estranho em um pagamento assim.

Se você concluiu que está nas mãos de um robô, pensou certo. Informar ao banco seu itinerário até ajuda, mas não protege totalmente contra uma compra recusada. Por precaução, leve também dinheiro em espécie. E tenha em mãos o telefone de emergência do cartão (leia abaixo). "Já me acostumei a passar vergonha em lojas de grife pelo mundo", brinca Fábio Garcia. "Simplesmente ligo para a central do cartão e aguardo o desbloqueio."

 

O QUE FAZER

 

Compra recusada

Apenas a transação é negada. Neste caso, alguns bancos já estabeleceram a prática de ligar para o cliente ou mandar e-mail para o smartphone. Se não, ligue para o atendimento emergencial do cartão para confirmar seus dados e a compra. Em geral, a transação é liberada em alguns minutos

 

Cartão cancelado

O software de segurança considera o gasto tão fora de padrão que cancela o cartão definitivamente. Ligue para o atendimento da administradora e peça um novo, que demora entre 24 e 48 horas para ser entregue no hotel. Você pode pedir um saque emergencial. O pedido e o valor são analisados pelo banco e você é encaminhado a uma agência para receber a quantia.

 

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