Desenrolar de cenas surreais no enrosco da Medina de Fez

Dentro de muralhas, quase nada mudou desde a longínqua Idade Média

Camila Anaute/FEZ,

14 Setembro 2010 | 09h37

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Cruzar as muralhas pelo portal Bab Boujloud é como puxar a primeira linha de um novelo: quanto mais se entra, mais se desenrolam cenas inacreditáveis. Burros e suas cargas, motos, bicicletas, mulheres de burca, turistas e suas máquinas, crianças, lojas e bancas se enroscam nas 10 mil vielas da Medina de Fez. Completamente fascinado, você se amarra também. E anda, compra, observa e sente até ficar totalmente sem saída.

 

Mas a saída, na verdade, pouco importa. Pelo menos até você desenrolar todo esse novelo - e conhecer a rotina de uma localidade árabe original, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Dentro da cidade fortificada a vida acontece para 1 milhão de pessoas. Ali, quase nada mudou desde a longínqua Idade Média. O tempo não passa nem preocupa.

 

Diferente de outras grandes cidades do Marrocos, Fez é conservadora. Mulheres inteiramente cobertas olham torto para turistas com pouca roupa (nos padrões locais) - e para suas câmeras. Muitas chegam a pedir satisfação por causa de uma foto.

Andando pelo emaranhado, é fácil notar traços da cultura islâmica em cenas cotidianas. Como a que marca o pôr do sol numa grande praça: homens no centro gesticulando e mulheres isoladas nos cantos, olhando as crianças.

 

Basta puxar mais algumas linhas para descobrir em portinhas um antigo palácio, uma escola que ensina o Alcorão, uma mesquita. A Médersa Mérinide está lá desde o século 14, atrás de um muro completo de mosaicos. Seu pátio interior é um grande exemplar da arquitetura berbere, com decoração feita de bronze, mármore e ônix.

No sobe e desce desse enrosco, você vai ver muçulmanas indo às compras, barracas de verdura, galinhas vivas e pedaços de carne pendurados. Vá em frente, porque logo o comércio muda. Agora são produtos cosméticos, sapatos, artesanatos, bijuterias.

 

E muda de novo. No bairro do couro, dá para visitar curtumes (coragem, o cheiro é forte) e ver como são produzidas bolsas, carteiras e pulseiras. Ainda tem a fábrica de cortinas, as tendas de tecidos, telas, lã... Tem especiarias, tem de tudo.

 

Quando você se desvencilhar por completo, será quase noite. Fora das muralhas da Medina, o tempo recomeça, acelera. Nada terá muita graça, nem o bairro judeu Mellah, onde fica o pomposo Palácio Real, nem a parte francesa, mais moderna com hotéis. Fuja para o alto da colina. Diante do mirante natural, muito verde, muito ocre, muitas torres. E a real dimensão desse rolo.

 

 

 

 

 

SAIBA MAIS

 

 

Religião: Marrocos é um país muçulmano, mas sem extremismos. Por respeito, turistas devem evitar decotes e saias curtas

 

 

Língua: árabe é oficial, mas francês e espanhol são bastante falados

 

 

Moeda: troque euro ou dólar por dirham nos hotéis ou no aeroporto. Poucos lugares aceitam cartão de crédito

 

 

Transporte: o sistema público não é dos melhores. Compre os traslados em agências ou alugue um carro

 

 

Épocas: na primavera e no outono, a temperatura passa dos 20 graus. No inverno, faz frio nas montanhas, onde se esquia. No verão, calor intenso

 

 

Site: http://www.visitmorocco.com/

 

 

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