Designers e arquitetos buscam produtos amigáveis

Mostrar que a sustentabilidade ambiental depende de uma postura consciente de projeto, produção e consumo foi o principal objetivo do seminário Design & Natureza, promovido hoje (17/9), pelo D&D Shopping, em São Paulo, cujo tema foi produtos amigáveis. O evento abriu a exposição de mesmo nome, que acontece até dia 6 de outubro, no D&D.?Esses produtos não só garantem uma sociedade mais justa e um planeta ecologicamente viável, como também vêm se tornando um fator determinante na compra e venda de produtos, agregando a eles grande valor?, disse Marili Brandão, curadora da exposição. Participam da mostra 52 designers e arquitetos, com produtos que vão de móveis, objetos de decoração e acessórios, até projetos arquitetônicos, elaborados a partir do conceito de desenvolvimento sustentável.Segundo Marili, todos os produtos seguiram o princípio de ciclo de vida do produto, ou seja, preocupando-se com seu destino do nascimento à morte. ?Todos os itens da exposição têm como preceitos básicos a proteção dos recursos naturais, eficiência energética, redução de emissões de poluentes, políticas social e ambiental, reciclagem, facilidade de conserto, estética, vida longa e multifuncionalidade?.Para dar concretude ao conceito de produto amigável, foi criada pela organização, com auxílio de ambientalistas, uma tabela avaliando esses critérios. Cada um dos produtos expostos traz a tabela mostrando sua pontuação em dez quesitos, que vão da origem da matéria-prima até seu papel na educação e geração de renda para comunidades carentes. Quanto maior a pontuação, mais amigável o produto.Poder do consumidorA consciência crítica do consumidor é, na opinião de Marilena Lazzarini, coordenadora executiva do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), a maior arma para a transformação dos processos produtivos e para uma possibilidade concreta de mudanças. Durante o seminário, disse que os padrões de consumo atuais são injustos, insustentáveis e depredadores do meio ambiente. ?Atualmente, somente trocar os produtos não é suficiente, é preciso mudar o estilo de vida?, acredita.Segundo Marilena, porém, o consumidor só pode ser responsabilizado na medida em que tem informação e opção. ?Não adianta uma organização não-governamental, como o Idec, criar uma demanda para produtos amigáveis se eles não existirem. Precisamos encontrá-los nas lojas e prateleiras?. Outro ponto importante, na visão dela, é uma rotulagem com critérios claros e objetivos, que não confundam o consumidor.?Estudos mostram que as rotulagens ambientais voluntárias em países industrializados tendem a ter pouca credibilidade, por serem muito genéricos. Dizer ?este produto não agride o meio ambiente?, não acrescenta praticamente nada?, explica.

Agencia Estado,

17 de setembro de 2002 | 17h48

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