Desmatamento de araucária continua na região sul

Ambientalistas do Paraná denunciam que as portarias do Ministério do Meio Ambiente (MMA), publicadas no fim do ano passado, propondo estudos para a criação de unidades de conservação no sul do Paraná e norte de Santa Catarina, têm sido usadas como pretexto para a intensificação da devastação de matas com araucárias e campos naturais na região. ?O avanço da destruição desses ecossistemas é um processo contínuo nestes últimos cinco ou seis anos, mas agora as portarias estão sendo utilizadas como desculpa?, diz Tom Grando, da organização não-governamental Liga Ambiental. Segundo Clóvis Borges, da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), ?os proprietários acreditam erroneamente que perderão suas terras, por isso estão tratando de explorá-las ao máximo?. As regiões onde o processo é mais visível, conforme os ambientalistas, são Palmas, no sul do Paraná, e o trecho entre os municípios de Passos Maia, Ponte Serrada e Água Doce, em Santa Catarina. ?Essas áreas concentram os maiores remanescentes de florestas de araucária e campos naturais, que são ecossistemas associados. Nos últimos tempos, estão sendo suprimidos para dar lugar a plantações de pinus e pelo avanço da fronteira agrícola de batata e soja?, diz Grando. Conforme o ambientalista, além dos prejuízos à biodiversidade, o processo tem provocado uma grande perda de solo e está afetando os rios da região.O ritmo de desmatamento das florestas de araucárias no Paraná - atualmente reduzidas a menos de 1% da cobertura original -, pode ser comprovado pelos primeiros dados, divulgados pela gerência-executiva do Ibama no Estado, da Operação Araucária, programa de combate ao desmatamento no sul do Paraná. Desde abril, uma área de 197 hectares (400 campos de futebol) foi interditada, totalizando em multas cerca de R$ 336 mil. Foram apreendidos 127 m3 de produtos de araucária e imbuia. Além disso, os fiscais puniram, por meio de 45 autos de infração, o transporte irregular de produtos florestais, a operação de serrarias e a queima de vegetação que abriga espécies em extinção da Mata Atlântica. Apenas entre 7 e 21 de julho foram vistoriados 178 pontos de desmatamento e queimadas irregulares.

Agencia Estado,

29 de julho de 2003 | 17h10

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