Desmatar para produzir biocombustível piora clima, diz estudo

Os cientistas disseram que apenas uma em seis espécies animais das florestas poderia sobreviver nas plantações

Reuters,

01 de dezembro de 2008 | 17h15

O desmatamento de florestas tropicais para a produção de biocombustíveis é uma idéia ruim para o clima e reduz a diversidade da vida animal e vegetal, indicou um estudo divulgado na segunda-feira, 1º.   Plano federal prevê queda de 70% no desmatamento até 2018  Após três anos de queda, desmate na Amazônia volta a subir  Crise pode prejudicar atualização do Protocolo de Kyoto  Entenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia  A evolução do desmatamento na Amazônia   "Manter as florestas tropicais intactas é uma forma melhor para se combater a mudança climática do que substituí-las por plantações para os biocombustíveis", disseram cientistas de sete países em um artigo na revista Conservation Biology.                     Milhões de hectares de florestas no Sudeste Asiático se transformaram em plantações de palmeiras para a produção de biocombustíveis - vistos como menos poluentes que os combustíveis fósseis porque os vegetais absorvem gases do efeito estufa à medida que crescem.   O estudo, divulgado no dia de abertura na Polônia das conversações entre 187 países sobre um novo tratado sobre o clima da Organização das Nações Unidas (ONU), disse que levariam 75 anos para que as emissões de carbono poupadas pelo uso dos biocombustíveis compensassem o carbono liberado para a atmosfera pelas queimadas de florestas para liberá-las para as plantações do biocombustível. E o equilíbrio seria alcançado apenas depois de mais de 600 anos se o hábitat fosse rico em carbono, diz o estudo. As plantações dos biocombustíveis em áreas degradadas, no entanto, podem levar a uma retirada limpa do carbono depois de apenas uma década.   "Alimentar o estoque de biocombustível a partir de culturas como as palmeiras simplesmente não faz sentido em termos ambientais", diz Emily Fitzherbert, da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, uma das autoras do estudo.    Os cientistas disseram que apenas uma em seis espécies animais das florestas poderia sobreviver nas plantações.   Os autores defenderam o desenvolvimento de padrões globais para a produção sustentável de biocombustíveis. E disseram que os problemas não se restringem ao Sudeste Asiático. "Na América Latina, as florestas estão sendo derrubadas para a produção de soja, que ainda é menos eficiente na produção de biocombustível em comparação com as palmeiras", diz o co-autor Faizal Parish, do Global Environment Center.   Ele disse que a redução do desmatamento é uma maneira muito melhor de os países combaterem as mudanças climáticas e, ao mesmo tempo, proteger a biodiversidade.

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