Despoluição beneficiará cidades do Médio Tietê

As Secretarias Estaduais de Energia e de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) firmaram acordo para financiamento de cerca de US$ 200 milhões para a segunda fase da despoluição do Rio Tietê. As obras beneficiarão o Médio Tietê, região com grande potencial turístico ambiental, que hoje sofre com o mau cheiro e com o lixo. Densas camadas de espuma branca, garrafas plásticas e outros detritos chegam através do rio às cidades ribeirinhas, como Salto, Tietê e Porto Feliz. Em alguns pontos, a sujeira atinge as rodovias e matas ciliares. Segundo o secretário estadual de Recursos Hídricos, Mauro Guilherme Jardim Arce, que também coordena a pasta de energia, a construção de redes de esgoto e de interceptores para encaminhar o fluxo às estações de tratamento começará ainda este mês. A previsão é que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) dê início às obras na quarta-feira da próxima semana. Dez empresas foram selecionadas entre as 80 inscritas na concorrência pública, iniciada em outubro. Parte dos US$ 200 milhões será investida pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Outros US$ 200 milhões já haviam sido liberados pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Enchentes A região do Médio Tietê não corre risco de sofrer enchentes com a conclusão das obras da segunda fase de ampliação da calha do rio, prevista para o segundo semestre de 2004, de acordo com o secretário estadual de Recursos Hídricos, Mauro Guilherme Jardim Arce. A hipótese de que o aumento da vazão agravaria o problema das inundações em cidades como Salto, Porto Feliz e Tietê, na temporada das chuvas, foi levantada por técnicos do Instituto de Estudos do Vale do Tietê (Inevat). O secretário explica que os efeitos do aumento da velocidade de chegada das águas na região foram considerados num Estudo de Impacto Ambiental. A conclusão foi que as barragens de Pirapora do Bom Jesus e Edgard de Souza, em Santana de Parnaíba, teriam capacidade para reter as águas. "As condições de escoamento das cheias permanecerão inalteradas", diz. "Os reservatórios das barragens vão operar com volumes de espera, ou seja, em níveis baixos, a fim de aguardar a chegada das águas provenientes de chuvas fortes." Além disso, a capacidade do reservatório de Pirapora será ampliada de 59 para 75 milhões de metros cúbicos. Serão realizadas ainda obras de elevação de dois trechos suscetíveis a inundações na Estrada dos Romeiros (SP-312), que sai de Santana do Parnaíba e segue por quase 100 quilômetros até Cabreúva, Itu e Salto. As obras dessa fase abrangem 24,5 quilômetros - do Cebolão à Barragem da Penha. O leito será aprofundado em 2,5 metros e a distância das margens passará de 41 a 46 metros, aumentando a vazão de 630 para 1.048 metros cúbicos por segundo. Os investimentos somarão R$ 700 milhões, 80% financiados pelo Japan Bank International Cooperation.

Agencia Estado,

06 de maio de 2002 | 10h30

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