Destruição da camada de ozônio atinge o auge

A diminuição do ozônio estratosférico ou o buraco na camada de ozônio, como se diz popularmente, já chegou ou está muito perto do auge. É o que diz o relatório parcial do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA) e da Organização Meteorológica Mundial (OMM), lançado nesta segunda-feira, em Paris, em comemoração ao Dia Internacional da Proteção ao Ozônio. O relatório científico completo ficará pronto em 2003 e sua elaboração conta com a colaboração de 250 especialistas de 37 países.Não parece um motivo para comemorar - isso quer dizer que o buraco nunca esteve tão grande - mas os especialistas encaram esta notícia como positiva. Na verdade, os efeitos das reduções nas emissões de substâncias prejudiciais ao ozônio - obtidos sobretudo graças à substituição dos cloro-fluor-carbonos (CFCs) - levam alguns anos, ou até décadas, para se fazer sentir, porque estas substâncias demoram para chegar à estratosfera - a cerca de 25 quilômetros da superfície terrestre, onde fica a camada de ozônio - e porque permanecem lá por muito tempo.Pico das emissõesIsso significa que o atual buraco no ozônio, seja sobre a Antártica ou sobre o Ártico, ainda é resultante das emissões antigas. Ou seja, a expectativa - ao se considerar que o buraco atingiu o auge - é de que se esteja olhando para o passado, como quando se observam estrelas.O pico das emissões, de acordo com o relatório, ocorreu entre 1992 e 1994. Desde então, a redução das emissões de substâncias à base de cloro é da ordem de 22 partes por trilhão ao ano. De 1994 para 2000, sua concentração diminuiu 5%. Novamente parece pouco, considerando todos os esforços feitos a partir do Protocolo de Montreal, assinado em 1987. Mas é um resultado significativo, diante da magnitude do problema. A diminuição da camada de ozônio, vale lembrar, já resultou num aumento da radiação ultravioleta do Sol, da ordem de 6 a 14% em 10 locais de medidas regulares, em latitudes médias e altas (zonas temperadas e polares). Outras substânciasExistem algumas substâncias - como o metilclorofórmio - cuja redução foi bem maior. Em 2000, a concentração de metilclorofórmio já era inferior à metade do que havia na atmosfera em 1992. A questão é que existem algumas outras substâncias, menos agressivas do que os CFCs, mas também prejudiciais ao ozônio, cuja produção ainda não diminuiu.É o caso dos HCFCs, considerados substitutos temporários dos CFCs, halons e solventes clorados. Sua concentração na atmosfera vem crescendo à base de 10 partes por trilhão a cada ano, desde 1996. É o caso também das substâncias à base de bromo - sobretudo halons de uso industrial - cuja produção vem sendo refreada, mas ainda está aumentando, ao invés de se estabilizar ou diminuir. Ainda vulnerávelDevido a uma complicada equação de compensações entre o papel de umas e outras substâncias, o fato é que o ozônio ainda está vulnerável, e o buraco só deve começar a diminuir a partir de 2010. A expectativa de recuperação da camada de ozônio - pelo menos às condições verificadas antes dos anos 80 - é para meados do século. No período 1997-2000, a diminuição global da camada de ozônio foi, em média, de 3%, em relação a 1964-1980. Como o ozônio não se distribui de forma homogênea em todas as latitudes, os efeitos de sua redução também não são iguais. Nos trópicos, onde naturalmente a camada de ozônio é menos espessa, nunca houve alteração perceptível. A destruição do ozônio estratosférico só começa a ser sentida a partir da latitude 25. No Hemisfério Sul, a redução média chega a 6%, enquanto no Hemisfério Norte não passa de 3%.Novos estudosOs autores do relatório Pnuma-OMM também compararam as concentrações de substâncias prejudiciais ao ozônio estratosférico, medidas durante o século XX, com os gases presentes em bolhas de ar presas na neve de glaciares, que revelam a composição atmosférica no século XIX. As comparações são conclusivas quanto à origem industrial da grande maioria dos gases - CFCs, HCFCs, halons, tetracloreto de carbono e metilclorofórmio - que praticamente não existiam antes de serem despejados na atmosfera pelo homem. A exceção é o metilbrometo, que tem fontes naturais, associadas a atividades vulcânicas. Os especialistas agora estão aprofundando os estudos em relação às possíveis interações - positivas e negativas - entre a dinâmica da camada de ozônio e as mudanças climáticas, resultantes do efeito estufa. Os dois fenômenos são muito diferentes, mas existem reações químicas entre os gases de um e outro, cujos efeitos ainda são pouco conhecidos.

Agencia Estado,

16 de setembro de 2002 | 17h46

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