Desvendado o genoma de parasita causador da malária

Equipe internacional descobriu que o 'Plasmodium vivax' teria mecanismos alternativos de infecção

Efe

08 de outubro de 2008 | 14h54

Pesquisadores espanhóis do Hospital de Barcelona anunciaram nesta quarta-feira, 8, que conseguiram decodificar o genoma do Plasmodium vivax, um dos parasitas que transmitem a malária. Várias equipes internacionais participaram do seqüenciamento genético.   Pedro Alonso, responsável pela equipe espanhola, explicou que o Plasmodium vivax, esquecido durante anos pela ciência porque sua patologia era considerada não significativa, é, junto com o Plasmodium falciparum, o mais infeccioso e perigoso dos quatro agentes mais importantes na transmissão da malária.   Os outros são o Plasmodium malariae e o Plasmodium ovale, que estão presentes principalmente na África, enquanto o vivax é mais habitual na América do Sul e no Oriente Médio.   Embora a malária causada pelo Plasmodium vivax raramente seja letal, esta doença impõe uma terrível carga para a saúde e para a economia de alguns países. Estima-se que seja responsável por 25% a 40% dos 515 milhões de casos anuais de malária do mundo.   A decodificação do genoma, liderada pelo Institute for Genomic Research (TIGR) e publicada pela revista Nature, revelou que ele é muito mais parecido com o genoma do Plasmodium falciparum que o esperado.   Assim, constatou-se que dos mais de 5.550 genes identificados - dos quais a metade é hipotética, já que sua função ainda é desconhecida -, só cerca de 150 são genes específicos do vivax, que seriam alvos para novas pesquisas.   Hernando del Portillo e Carmen Fernández-Becerra, pesquisadores do Centro de Pesquisas em Saúde Internacional de Barcelona (Cresib), explicaram que também foi constatado que o vivax teria mecanismos alternativos de infecção dos eritrócitos, as células do sangue humano em que se multiplica o parasita durante seu ciclo vital.   Eles ressaltaram que essas vias alternativas de infecção ainda não haviam sido observadas em pesquisas anteriores e que, com a informação genética agora disponível, a comunidade científica deverá encontrar uma forma de aproveitar os achados para combater a malária.

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