Desvendado o genoma do camundongo

O livro do genoma humano acaba de ganharum dicionário - um outro código genético capaz de dar sentido à toda aquela sopa de 3 bilhões de letrinhas que compõem o nosso DNA e determinam a construção e o funcionamento do nosso organismo. É o genoma do camundongo, a ser publicado nesta quinta-feira por um consórcio de pesquisadores americanos e britânicos na revista Nature.Principal cobaia de laboratório, usado comomodelo para praticamente todas as drogas e terapias desenvolvidas nos últimos 20 anos, o camundongo é quase geneticamente idêntico ao ser humano. Com os genomas das duasespécies completamente seqüenciados - ou seja, soletrados -, será possível estudar a base genética de doenças complexas com muito mais rapidez e objetividade.Apenas uma primeira comparação entre os dois organismos já permitiu a identificaçãode 9 mil novos genes no camundongo e 1.200 no homem. "Uma das estratégias mais poderosas para desvendar os segredos do genoma humano é a genômica comparativa, e um dos pontos de partida mais poderosos para a comparação no laboratório é o camundongo, Mus musculus", escrevem os pesquisadores.Assim como o genoma humano, publicado em 2001,está permitindo aos pesquisadores desenvolver medicamentos, diagnósticos e tratamentos mais eficazes, o genoma do camundongo permitirá que todas essas inovações sejam testadas com maisrapidez e eficácia no laboratório.A publicação é resultado de um esforço de mais de dois anos, coordenado pelo Wellcome Trust Sanger Institute, Whitehead Institute, pela Washington University e pelo banco de informaçõesgenéticas Ensembl.Assim como no caso do genoma humano, queainda está recebendo seus retoques finais, o anúncio é feito com 95% do genoma seqüenciado. Falta apenas fechar alguns buracos. Ogenoma do camundongo, segundo a pesquisa, é 14% menor do que o humano, composto por uma seqüência de 2,5 bilhões de letras químicas A, T, C e G.O grande Homo sapiens e o pequeno Musmusculus, entretanto, aparentemente possuem o mesmo número de genes: cerca de 30 mil. Segundo os cientistas, é mais uma evidência de que a superioridade do homem sobre outros animaisnão está na estrutura do seu genoma, mas na maneira como ele funciona."A seqüência em si não adianta nada, é preciso ter função", explica o pesquisador João Bosco Pesquero, do Centro de Desenvolvimento de Modelos Experimentais em Medicina e Biologia(Cedeme) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que trabalha com camundongos geneticamente modificados para o estudode doenças humanas.Essas cobaias modificadas, que podem ter umgene adicionado, retirado, ligado ou desligado, são a ferramenta mais importante para o estudo genético de doenças humanas.

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