Nasa/Reuters
Nasa/Reuters

Dia terá 1 segundo extra para adequar horário à rotação da Terra

Acréscimo deve ser feito manualmente; relógios atômicos seriam mais precisos do que movimentação do planeta e criam dilema

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

30 Junho 2015 | 07h23

GENEBRA - A meia-noite vai atrasar nesta terça-feira, 30. E não será para dar mais uma chance para que a Grécia pague sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que vence nesta noite. Para ajustar os relógios do planeta à rotação da Terra, cientistas e entidades decidiram que vão adicionar um segundo ao dia e, assim, permitir que os horários oficiais estabelecidos por relógios atômicos estejam sincronizados ao movimento do planeta. 

Quando o relógio atingir nesta noite 23:59:59, o momento seguinte será 23:59:60 de 30 de junho de 2015, e não 00:00:00 de 1 de julho de 2015. Na prática, o último minuto do dia terá 61 segundos, e não 60. 

O segundo extra poderia ter sido adicionado a qualquer dia e muito se debateu se não seria mais adequado deixar para o dia 31 de dezembro. Mas, com as festas de réveillon, o risco era de criar uma certa confusão sobre o momento de iniciar o ano-novo. 

Se o segundo extra não tem qualquer impacto adicional para a vida de bilhões de pessoas, a realidade é que cientistas alertam que o problema é o de adequar os sistemas informáticos às mudanças. A introdução do segundo extra teria de ser feito manualmente. 

Além disso, longe de ser mera discussão teórica, a questão movimenta bilhões de dólares. O desenvolvimento de relógios atômicos criou um dilema. Esses aparelhos seriam mais precisos que a própria rotação da Terra, frequentemente afetada por terremotos e outros fenômenos. Para garantir uma sincronia, a prática que se usa há 40 anos é a de adicionar um segundo no relógio, a cada determinado número de anos.

Mas governos como dos Estados Unidos e da França defendiam que esse segundo extra fosse abolido, já que o custo para a indústria de telecomunicações, bancos e para o setor de segurança é considerável, cada vez que é necessário adicionar manualmente um segundo aos relógios. Sistemas de navegação também estariam sendo afetados.

Já países como o Grã-Bretanha e China insistiram que o cálculo das horas deveria respeitar o horário astronômico, mesmo que isso exigisse mudanças. Para essas nações, o fim da sincronia significaria que, em um século, a rotação da Terra e os relógios estariam distantes em minutos. Além disso, Londres insiste que, nos 40 anos de ajustes, nunca houve um problema sério nos serviços de telecomunicações ou de segurança.

Diante do impasse, os governos pediram que mais tempo fosse dado para permitir que o assunto fosse estudado e uma solução permanente seja encontrada. Em novembro deste ano, países se reunirão em Genebra e, na agenda, o que fazer para ajustar os relógios ao movimento da Terra.  

Mais conteúdo sobre:
Terra

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.