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Dias na Terra ficam 1,8 milésimo de segundo mais longos a cada século

Segundo pesquisa britânica, vai demorar 'apenas' 3,3 milhões de anos para ganharmos um só minuto

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2016 | 20h06

Os dias na Terra estão ficando mais longos, segundo um estudo publicado nesta quarta-feira, 7. Mas a mudança não será perceptível nem para você nem para o seu neto - vai demorar cerca de 3,3 milhões de anos para ganharmos apenas um minuto.

Ao longo dos últimos 27 séculos, o dia aumentou a uma taxa de cerca de 1,8 milissegundo (ms) por século (um segundo dividido por mil). Essas são as conclusões de uma pesquisa de cientistas britânicos publicada na revista Proceedings of the Royal Society A.

Esse valor é "significativamente menor" que a taxa de 2,3 ms por século estimada anteriormente, que requeria "somente" 2,6 milhões de anos para acrescentar um minuto. 

"É um processo muito lento," disse o coautor do estudo Leslie Morrison, astrônomo aposentado do Observatório Real de Greenwich.

"Essas estimativas são aproximadas porque as forças geofísicas que atuam sobre a rotação da Terra não serão necessariamente constantes após um longo período de tempo", disse Morrison. 

Os antigos 2,3 ms estimados foram baseados em cálculos da atração gravitacional da Lua, que causa as marés. 

Para o novo estudo, Morrison e sua equipe usaram teorias gravitacionais sobre o movimento da Terra ao redor do Sol e da Lua ao redor da Terra para calcular o tempo de eclipses solar e lunar ao longo dos séculos, vistos do nosso planeta.

Eles então calcularam de onde na Terra os eclipses teriam sido visíveis e compararam isso com observações de eclipses registradas pelos antigos babilônios, chineses, gregos, árabes e europeus medievais. 

"Nós obtivemos relevantes registros de historiadores e tradutores de textos antigos", explicou Morrison. 

"Por exemplo, as tábuas babilônias, que são gravadas na escrita cuneiforme, estão conservadas no Museu Britânico e têm sido decodificadas por especialistas lá e em outros lugares".

A equipe encontrou discrepâncias entre onde os eclipses deveriam ter sido observáveis e onde na Terra eles de fato foram vistos. 

"Essa discrepância é uma medida de como a rotação da Terra está variando desde 720 a.C", quando as civilizações antigas começaram a guardar os registros sobre os eclipses, escreveram os pesquisadores. /AFP

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