Rodrigo Müller / UFSM
Rodrigo Müller / UFSM

Dinossauro de pescoço longo mais antigo do mundo é descoberto no RS

Da espécie dos saurópodes, foi batizado como 'Macrocollum itaquii'; rochas das quais a ossada foi extraída datam de 225 milhões de anos, ou seja, da Era Mesozoica

Luciano Nagel* e EFE, Especial para o Estado

22 Novembro 2018 | 11h23
Atualizado 22 Novembro 2018 | 19h48

Um grupo de paleontólogos brasileiros descobriu no interior do Rio Grande do Sul uma nova espécie de dinossauro, descrito por eles como o de pescoço longo mais antigo do mundo, com base na análise de três esqueletos fossilizados completos.

A descrição da nova espécie de dinossauro, feita por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), foi publicada na última edição da revista científica Biology Letters.

O novo dinossauro, da espécie dos saurópodes e batizado como Macrocollum itaquii, foi descrito com base nos três esqueletos completos fossilizados retirados em 2013 de rochas do triássico em Agudo, município no interior do Rio Grande do Sul.

“O fóssil está muito bem preservado, inclusive a superfície do tecido ósseo. Além disso, os esqueletos estão completos, temos todos os ossos deles. É uma conservação excepcional. Nunca tivemos algo deste tipo aqui no Brasil. A gente encontra muito fóssil nessa região de Agudo, é uma área muito rica”, afirmou o pesquisador, em entrevista na manhã desta quinta-feira, 22, ao Estado.

Com cerca de 3,5 metros de comprimento, o Macrocollum itaquii apresenta um pescoço bastante longo – uma das principais características do grupo de dinossauros gigantes pescoçudos, os Saurópodes, como o Braquiossauro e o Apatossauro. Esta característica faz com que o Macrocollum itaquii seja considerado o dinossauro mais antigo de pescoço longo já descoberto.

Segundo o pesquisador Rodrigo Temp Müller, as rochas de onde os esqueletos foram escavados em 2012 têm cerca de 225 milhões de anos. “Eram do período Triássico e acabaram ficando preservadas aqui na região central do Rio Grande do Sul. Já em outros Estados do Brasil não temos este tipo de geologia. É claro que existem outros fósseis espalhados pelo território brasileiro, mas dificilmente vamos encontrar fóssil de idade triassica como estes aqui no Estado”, disse.

Questionado sobre a alimentação deste “pescoçudo” que viveu na Era Mesozoica, Rodrigo disse que este animal se alimentava basicamente de plantas. “A dentição do novo dinossauro indica que ele comia folhas, entre outras plantas”. Desse modo, o pescoço longo pode ter permitido que os animais dessa espécie alcançassem a vegetação mais alta, a qual outros animais da mesma época não eram capazes de alcançar.

Outra novidade revelada pelos esqueletos excepcionalmente bem preservados é que esses animais possivelmente andavam em grupos, um comportamento chamado de gregarismo. Essa também é a mais antiga evidencia desse tipo de hábito em Sauropodomorfos. Quanto ao gênero do animal, o pesquisador explicou que será muito difícil identificá-lo. “No momento seria inviável dizer o gênero sexual dos espécimes. Seriam necessários mais esqueletos para que pudéssemos ter um número suficiente para encontrar variações morfologicas que pudessem ser resultantes de dimorfismo sexual. Com apenas três esqueletos acabaria sendo muito especulativo."

Os fósseis da nova espécie estão depositados no Centro de Apoio a Pesquisa Paleontológica da UFSM, em São João do Polêsine, onde poderão ser visitados.

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