Stephan Lautenschlager / University of Bristol
Stephan Lautenschlager / University of Bristol

Dinossauros carnívoros abriam mandíbulas em até 90 graus, diz estudo

Pesquisa realizada na Universidade de Bristol mostra que dieta dos répteis pré-históricos estava associada ao ângulo máximo de abertura da boca: máximo para herbívoros era de 45 graus

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

04 Novembro 2015 | 17h49

Um grupo de cientistas britânicos estudou o quanto diferentes tipos de dinossauros conseguiam abrir a boca e descobriu que o ângulo de abertura da mandíbula está diretamente relacionado à dieta dos répteis pré-históricos.

Em geral, carnívoros como o conhecido Tiranossauro rex escancaravam a mandíbula em até 90 graus, enquanto os dinossauros herbívoros só conseguiam abri-la até 45 graus. O estudo, liderada por Stephan Lautenschlager, da Universidade de Bristol (Reino Unido), foi pubicado hoje na revista Royal Society Open Science.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas utilizaram modelos computacionais para processar os dados, que foram obtidos com minuciosas análises de fósseis e com os registros disponíveis sobre o ângulo de abertura das mandíbulas de diversas aves e répteis modernos.

Os cientistas estudaram a tensão muscular durante a abertura de mandíbula de três diferentes dinossauros terópodes que tinham hábitos alimentares distintos. Os terópodes - palavra composta dos termos gregos "therós" (fera) e "podós" (pés) - eram um grande grupo  de dinossauros bípedes que inclui os maiores carnívoros que já viveram sobre a Terra.

"Os dinossauros terópodes, como o Tiranossauro rex e o Alossauro, são muitas vezes retratados com mandíbulas muito abertas, presumivelmente para enfatizar sua natureza carnívora. Mas até agora nenhum estudo havia realmente detalhado a relação entre a musculatura da mandíbula, sua abertura máxima e o estilo de alimentação", disse Lautenschlager.

Os três dinossauros estudados foram o Tyrannosaurus rex, um grande terópode carnívoro com um crânio robusto e dentes de 15 centímetros, o Alosaurus fragilis, um terópode menor e mais frágil, embora igualmente carnívoro e o Erlikosaurus andrewsi, um parente próximo dos dois anteriores, mas que se alimentava de plantas.

"Todos os músculos, incluindo os que são utilizados para abrir e fechar a mandíbula, só podem esticar até certo ponto antes de arrebentarem. Isso limita consideravelmente o quanto um animal consegue abrir a boca e, portanto, como e de que ele pode se alimentar", explicou Lautenschlager.

A fim de entender em detalhes a relação entre tensão muscular e abertura da mandíbula, minuciosos modelos computacionais foram criados para simular a abertura e fechamento da boca, enquanto eram medidas as alterações no comprimento dos "músculos digitais". As espécies de dinossauros estudadas também foram comparadas aos seus parentes vivos, como crocodilos e aves, cuja tensão muscular e abertura máxima da mandíbula são conhecidas.

O estudo mostrou que o Tiranossauro e o Alossauro eram capazes de abrir a mandíbula em até 90 graus, enquanto o Erlikossauro abria a boca só até 45 graus.

Entre os dois carnívoros, os resultados mostraram que o Tiranossauro podia, com sua mordida, produzir uma força muscular persistente com diversos ângulos de abertura das mandíbulas - o que seria necessário para romper a a pele, despedaçar a carne e esmagar os ossos das presas.

"Sabemos, por meio dos animais modernos, que os carnívoros são frequentemente capazes de abrir as mandíbulas mais que os herbívoros. É interessante ver que isso acontece também no caso dos dinossauros terópodes", afirmou Lautenschlager.

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