Diretor se demite após morte de 50 macacos

Subiu para 50 o número de macacos mortos no Centro Nacional de Primatas por suposta contaminação pelo produto conhecido por maravalha, uma lasca de madeira que serve para forrar as gaiolas e protegê-las contra a umidade do clima amazônico. 32 animais morreram entre os dias 4 e 7 e outros 18 entre terça e quinta-feira desta semana.O registro de novas mortes fez o diretor do órgão, Reinaldo Amorim, pedir demissão do cargo, nesta sexta-feira. À Agência Estado ele disse que sua decisão de sair é de "caráter pessoal", mas também se deve ao "desgaste" que tem sofrido nos últimos dias, depois que as mortes começaram.A comunidade científica pediu para que desistisse da demissão, mas não foi atendida. "Para mim, até que seja divulgado o laudo do exame biológico feito nos macacos, tudo não passou de fatalidade" avalia o diretor. Mas ele não descarta nenhuma hipótese até que tudo seja esclarecido, inclusive a suspeita de envenenamento dos animais.Dos 50 mortos, 32 eram da espécie mico estrela, enquanto os outros 18 eram da espécie sagüi-de-tufo branco ou do nordeste. Todos eram adultos, o que deixou dezenas de filhotes órfãos. Há suspeita de que alguns desses filhotes também tenham sido contaminados.Outros 100 cem macacos reprodutores das duas espécies que restaram no Centro foram removidos das gaiolas coletivas e estão sob quarentena. Segundo o veterinário Paulo Castro, há 800 animais de 25 espécies de macacos vivendo no Centro.Os que morreram serviam de modelo experimental para o estudo da hepatite, porque apresentam o mesmo quadro da doença semelhante ao do homem.Há apenas dois anos no cargo, Amorim enfrenta opositores dentro do órgão que estariam insatisfeitos com as mudanças por ele realizadas. Dentre as medidas, cortou privilégios de alguns servidores e desmontou um esquema que fazia sempre as mesmas empresas ganharem todas as concorrências para obras, fornecimento de alimentação aos macacos, computadores e até material de serviço.Ele contou que sua atuação, "voltada para o interesse público" já lhe rendeu até ameaças de morte após descobrir que uma empresa vencedora de licitação para compra de computadores havia adulterado para menor a capacidade de memória dos equipamentos, burlando as regras do edital."Ao exigir que fosse cumprido o que previa o contrato, uma pessoa perguntou ao telefone se eu não tinha medo de morrer", relatou Amorim.

Agencia Estado,

16 de dezembro de 2005 | 17h30

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