Discurso do papa sobre 'pílula do dia seguinte' é criticado

Bento XVI havia dito que farmacêuticos católicos deveriam se recusar a fornecer remédios 'imorais'

PHILIP PULLELLA, REUTERS

30 de outubro de 2007 | 12h40

Políticos e farmacêuticos da Itália reagiram com indignação, na terça-feira, a um apelo feito pelo papa Bento XVI para que farmacêuticos se recusassem a vender remédios tais como a "pílula do dia seguinte" caso alimentassem objeções morais a esse tipo de substância. Na segunda-feira, durante uma conferência internacional, o papa afirmou que os farmacêuticos deveriam ter o direito de exercer uma objeção de consciência no caso de o medicamento a ser vendido interromper a gravidez, provocar aborto ou contribuir para a eutanásia. A ministra da Saúde italiana, Livia Turco, afirmou que, apesar de Bento XVI ter o direito de conclamar os jovens a serem responsáveis quanto à vida sexual deles, não poderia determinar a profissionais como os farmacêuticos o que fazer. "Não acredito que esse alerta para que os farmacêuticos sejam críticos conscientes da pílula do dia seguinte deva ser levado a sério", afirmou a ministra ao jornal Corriere della Sera. O pontífice não mencionou nenhum medicamento específico, mas parecia referir-se à pílula do dia seguinte. Na Itália, o remédio só pode ser comprado com prescrição médica. O papa também se referiu ao RU-486, a chamada pílula do aborto, que está disponível em alguns hospitais italianos em caráter experimental. O medicamento bloqueia a ação de alguns hormônios necessários para manter o óvulo fertilizado ligado à parede do útero. Franco Caprini, chefe do grupo de farmacêuticos Federfarma, disse que, pela lei, os farmacêuticos são obrigados a vender os remédios prescritos por um médico. "Não podemos fazer uma objeção de consciência se a lei não for alterada", afirmou. Apesar de alguns políticos terem defendido o direito do papa de externar a opinião dele e o direito dos farmacêuticos de rejeitarem conscientemente determinados medicamentos, outros criticaram-no. "A conclamação do papa para que os farmacêuticos recusem-se a vender a pílula do dia seguinte significa uma interferência bastante grande na política e na vida italianas", disse Lidia Menapace, senadora do partido Refundação Comunista. A Igreja Católica ensina que os métodos contraceptivos artificiais, o aborto e a eutanásia são um pecado. Segundo o Vaticano, nada deveria bloquear a eventual continuação da vida, que, segundo defende, começa na concepção e termina com a morte natural.

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