Disfunção erétil pode ser sintoma de doença do coração

A disfunção erétil em pacientes com mais de 40 anos pode ser a primeira manifestação de doença cardiovascular. "O cardiologista precisa se habituar a perguntar como está a vida sexual do paciente", explicou o cardiologista e professor da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Otávio Rizzi Coelho.Coelho é um dos organizadores do livro "Disfunção erétil como marcador de doença cardiovascular", junto com Carlos Serrano Júnior, médico do Instituto do Coração (InCor). A coletânea de 16 artigos de especialistas sobre o tema foi lançada pela editora Segmento Farma durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro no final de setembro."Há casos de médicos que tratavam a disfunção sem analisar a questão cardiovascular e vice-versa, ainda que os fatores de risco sejam comuns a ambas", alegou o professor. Os principais são hipertensão, tabagismo, colesterol alto e diabetes. Os pacientes cardiovasculares têm de duas a quatro vezes mais chances de manifestar disfunção erétil. A mesma proporção vale para os que sofrem de ausência de ereção, que têm entre duas e quatro vezes mais possibilidades de serem diagnosticados como doentes cardíacos. De acordo com Coelho, a investigação do médico deve abranger as duas doenças, para serem tratadas simultaneamente. O cardiologista acrescentou que o livro pretende levar o assunto da disfunção ao consultório do cardiologista e a possibilidade da doença cardíaca para o urologista. Estudos feitos no Brasil indicam que metade da população de homens adultos apresentam algum grau de disfunção erétil, afirmou. "Esses levantamentos revelam proporções semelhantes em diferentes países, sempre acima de 40%", disse. Do total de homens que enfrentam o problema, 10% sofrem de ausência total de ereção. "É preciso lembrar que há outras causas de disfunção erétil. Mas a vascular atinge a grande maioria dos pacientes acima de 40 anos", apontou. O controle dos fatores de risco é fundamental no tratamento das duas doenças, enfatizou o professor. Ele esclareceu que os cardiologistas não têm competência de tratar problemas "na esfera sexual", mas insistiu na importância de diagnosticar a disfunção erétil em pacientes cardíacos.

Agencia Estado,

16 de outubro de 2004 | 10h48

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