Dois norte-americanos e um alemão ganham Nobel de Química por avanço em microscopia

Um cientista alemão e dois norte-americanos venceram nesta quarta-feira o prêmio Nobel de Química de 2014 por terem quebrado uma barreira na capacidade de observação de microscópios ópticos, permitindo aos pesquisadores observarem moléculas específicas dentro de células vivas.

SVEN NORDENSTAM E BEN HIRSCHLER, REUTERS

08 Outubro 2014 | 09h31

Os norte-americanos Eric Betzi e William Moerner e o alemão Stefan Hell ganharam o prêmio por terem usado a fluorescência para levar a microscopia a um nível inovador, tornando possível o estudo em tempo real de fenômenos como sinapses em células cerebrais.

"O seu trabalho inovador levou a microscopia óptica para a nanodimensão", disse a Academia Real de Ciências sueca, que concede a premiação de 8 milhões de coroas suecas (1,1 milhão de dólares).

Em 1873, cientistas chegaram a acreditar que existiria um limite para o que poderia ser observado quando Ernst Abbe estipulou que a resolução do microscópio óptico não poderia nunca exceder os 0,2 micrômetros, ou 500 vezes menos do que a espessura de um cabelo humano.

Mas os três vencedores do Nobel ultrapassaram esse limite ao examinarem moléculas fluorescentes para elaborar imagens muito mais detalhadas, liderando a criação da "nanoscopia", hoje amplamente utilizada para observar o funcionamento molecular interno de células vivas.

Os microscópios modernos em nanoescala podem seguir proteínas individualmente para melhor compreender doenças como Alzheimer e Parkinson, ou acompanhar o desenvolvimento de óvulos fertilizados à medida que se dividem e tornam-se embriões.

"Isso é muito, muito importante para entender como a célula funciona e entender o que dá errado se a célula é doente", disse Hell em uma coletiva de imprensa por telefone após tomar conhecimento da premiação.

Hell, que é diretor do Instituto Max Planck para Química Biofísica na Alemanha, disse ter ficado "totalmente surpreso" com o prêmio, enquanto o também vencedor Betzig afirmou ter ficado chocado com a notícia.

"Estou há uma hora caminhando para cima e para baixo atordoado, em um belo dia em Munique, temeroso de que minha vida tenha mudado", disse ele à Reuters por telefone a partir de Munique, onde tem uma aula marcada para esta quarta-feira.

Betzig trabalha no Instituto Médico Howard Hughes em Ashburn, nos Estados Unidos, enquanto Moerner é professor na Universidade Stanford.

O Nobel de Química foi o terceiro deste ano, depois dos de Medicina e Física. O prêmio leva o nome do inventor da dinamite Alfred Nobel e é concedido desde 1901 para realizações na ciência, literatura e busca da paz, de acordo com o estipulado por ele em seu testamento.

O prêmio de química tem sido ofuscado pelo de física, com seus famosos cientistas premiados tais como Albert Einstein, embora possa ser considerado o campo mais próximo do trabalho do próprio Nobel no desenvolvimento da dinamite e outros explosivos.

Como vencedores do prêmio de química, os laureados entram em um seleto clube de pesquisadores tais como o pioneiro dos estudos nucleares Ernest Rutherford e Linus Pauling, a única pessoa a vencer sozinho dois Nobels - o de química em 1954 e o da paz em 1962.

Mais conteúdo sobre:
CIENCIA NOBEL QUIMICA*

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.