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Domingo de carnaval terá eclipse parcial do Sol; saiba como observá-lo

Fenômeno poderá ser visto em São Paulo entre 10h e 13h; às 11h30, o astro terá 51% de seu diâmetro coberto pela sombra da Lua

Fábio de Castro, O Estado de S.Paulo

22 Fevereiro 2017 | 08h19

SÃO PAULO - Na manhã do dia 26, em pleno domingo de carnaval, ocorrerá o fenômeno que os astrônomos chamam de "eclipse anular do Sol". No Brasil, será visto como um eclipse parcial, no qual o astro não é totalmente obscurecido.

Um eclipse solar acontece quando a Lua passa diante do Sol, projetando sua sombra sobre a Terra. Quando a Lua está mais afastada do planeta, como ocorrerá no domingo, ela não chega a cobrir o Sol inteiramente, deixando aparecer suas bordas como se fosse um "anel de fogo" - por isso trata-se de um eclipse anular.

Da perspectiva dos brasileiros, porém, a Lua cobrirá o Sol apenas parcialmente, de acordo com Paulo Bretones, professor do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). O ápice do fenômeno ocorrerá às 11h30, quando o Sol terá 51% de seu diâmetro coberto pela sombra lunar.

"Os locais mais favoráveis para observação do eclipse, no mundo, serão o Oceano Pacífico, o sul da Argentina e do Chile, o Oceano Atlântico, Angola, Congo e Zâmbia, na África. Nas regiões acima ou abaixo da faixa - ou seja, na América do Sul, no oeste da África e na Antártica -, o eclipse será visto como parcial", explicou Bretones.

Em São Paulo, segundo Bretones, o eclipse começará às 10h02, quando a Lua nova começará a "tocar" o disco do Sol. Ela ocultará o disco solar progressivamente, até o ápice do fenômeno, às 11h30. A partir daí, o satélite começará a cobrir uma área cada vez menor do disco solar, até as 12h59, quando terminará o "espetáculo".

"Mesmo nas áreas mais favoráveis para observação, o eclipse anular não chega a obscurecer o Sol completamente. No Brasil, o efeito na luminosidade será pequeno, comparável ao de uma nuvem que passa diante do Sol. Ainda assim, o fenômeno poderá ser muito bem observado", disse o professor.

Para observar o eclipse, no entanto, é preciso tomar muito cuidado, de acordo com Bretones. "Durante o eclipse é muito perigoso observar o Sol diretamente, pode produzir queimaduras na retina, causando cegueira", alertou. 

Segundo Bretones, é extremamente perigoso olhar para o Sol com qualquer instrumento óptico como binóculos, lunetas, telescópio ou mesmo através de uma máquina fotográfica.

"Basta ver o que acontece quando se queima uma folha utilizando-se uma lente para focar a luz do Sol, para se ter uma ideia do perigo", afirmou.

O professor afirma que, para observar o eclipse, é preciso tomar o cuidado de usar um filtro apropriado.

"Não se deve usar óculos escuros, vidros esfumaçados, radiografias ou negativos de filmes revelados, pois estão sujeitos a não serem suficientemente densos para bloquear as radiações não visíveis como o infravermelho e o ultravioleta. O filtro usado em máscara de soldador número 14, disponível em lojas de ferragens, seria o mais indicado", disse Bretones.

Efeito da órbita. Bretones explica que a Terra gira ao redor do Sol em um plano - como se ele estivesse no centro de uma mesa e a Terra se movesse ao seu redor sobre essa mesa. Ao mesmo tempo, a Lua gira em torno da Terra, mas o plano de órbita lunar é inclinado um pouco mais de 5º em relação à face da "mesa" e geralmente a Lua passa acima ou abaixo do Sol.

"Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra e, além disso, o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse solar. A sombra da Lua projetada no espaço é interceptada pela Terra, resultando em uma faixa de até 300 quilômetros de largura", explicou. "O deslocamento dessa faixa sobre a superfície terrestre, conforme os astros se movem, define a faixa de totalidade do eclipse. No caso de domingo, devido à maior distância da Lua, ocorrerá um eclipse anular do Sol, que, apesar da sombra, permite observar um anel do disco solar."

Os antigos egípcios e babilônios já previam eclipses, segundo Bretones. Os antigos filósofos e matemáticos gregos, como Tales e Hiparco, aperfeiçoaram os cálculos e observaram vários eclipses.

"Os eclipses, em particular os solares, sempre tiveram papel marcante na história e são previstos desde milhares de anos antes da era cristã. Os antigos chineses, por exemplo, achavam que quando ocorria um eclipse um dragão estava engolindo o Sol. A população se reunia e fazia o maior barulho possível para espantá-lo. É claro que sempre dava certo", afirmou o professor.

Fotografando o fenômeno. Para quem quer fazer fotos do eclipse com uma câmera digital, Bretones sugere fixá-la em um tripé, em modo de foco infinito, paisagem ou cenário (landscape).

"Pode-se usar sensibilidade de ISO 100 ou 200 e um filtro de densidade neutra diante da objetiva. Na falta de filtros próprios de máquinas fotográficas, pode-se usar o filtro de máscaras de soldar", disse.

Para as câmeras com opções manuais, pode-se usar exposições rápidas de 1/1000 e aberturas pequenas como 1:8 ou 1:10, segundo Bretones. "Para obter na mesma foto a sequência do eclipse, deve-se fazer um ensaio na véspera para procurar o melhor local. Com a máquina fixa, disparando-se manualmente (velocidade B) em intervalos de três, cinco minutos ou mais."

Bretones afirma que a divulgação de fenômenos como o eclipse é de extrema importância para chamar a atenção de estudantes, professores e do público em geral para a valorização do conhecimento científico.

"Mesmo sendo domingo de carnaval, vale a pena reunir a turma para observarmos esse raro fenômeno. Enquanto que o eclipse reúne no céu o Sol e a Lua, as pessoas se reúnem aqui em baixo para observá-los e ver esse belo espetáculo da natureza."

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