Duas mil toras de mogno apreendidas no Pará

Uma operação desencadeada pela Coordenação de Meio Ambiente da Polícia Federal conseguiu apreender na semana passada quase 2 mil toras de mogno, avaliadas em R$ 22 milhões. A madeira ? cuja exportação, venda no mercado interno e mesmo transporte estão proibidos pelo governo ? foi encontrada ao longo do Rio Xingu, em São Félix, no sul do Pará.Uma pessoa foi presa numa serraria que funcionava no meio da floresta. Batizada de Gnomo 3, a operação foi realizada em segredo pelos policiais que formam a coordenação recém-criada na PF. ?No combate aos crimes contra o meio ambiente, estamos dando prioridade à questão do mogno?, informou o delegado Jorge Pontes, coordenador das operações.Segundo ele, um grupo especial vai cuidar exclusivamente da guarda, extração, do transporte e da comercialização do mogno. ?Mesmo com a proibição, estamos realizando apreensões. Por isso, centralizamos nossas ações em torno deste problema, colocando em ação o projeto Gnomo, que é o resultado da mistura das letras de mogno.?A ação da PF contou com a ajuda de fiscais e helicópteros do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Foi iniciada ainda no mês passado, durou pelo menos 15 dias e resultou na prisão de Divino dos Reis de Souza, gerente da serraria Serra Dourada, para onde a madeira estava sendo desviada. ?Estamos investigando para saber quais as ligações dele com outras pessoas envolvidas na extração ilegal do mogno?, disse Pontes.Durante a operação, foram apreendidas 1.990 toras de mogno, que totalizaram em torno de 4.800 metros cúbicos. ?A madeira seria vendida por pelo menos US$ 1,600 o metro, o que geraria mais de US$ 7,5 milhões, só em território nacional, o equivalente à R$ 22,5 milhões?, explicou o delegado.No exterior, o mogno já tratado pode valer mais de US$ 2,500 o metro cúbico, segundo levantamentos do Ibama. Um trabalho feito pelo Ministério Público do Pará demonstrou, no início do ano, que a ação dos madeireiros na região sul do Estado não estava apenas pondo em risco uma das últimas reservas de mogno do planeta.O estudo mostrou que, para cada árvore de mogno, também eram derrubados três exemplares de outras espécies valiosas, como massaranduba, seringueira e jatobá. ?A ação da máfia não apenas acaba com uma das madeiras mais nobres do mundo, mas também destrói o meio ambiente ao seu redor e corrompe comunidades inteiras?, diz o estudo do promotor de Altamira, Mauro Mendes.Como acontece no tráfico de drogas, a máfia do mogno está aliciando seringueiros, índios e ribeirinhos. Uma árvore pode custar apenas um quilo de sal ou uma lata de óleo para o ribeirinho ou R$ 80,00 para os índios. ?Hoje, se não combatermos esse tipo de máfia, ela poderá tornar-se mais um elemento do crime organizado no País?, afirmou Jorge Pontes.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2002 | 21h31

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