MARTIN BERNETTI / AFP
MARTIN BERNETTI / AFP

Eclipse mergulha Chile e Argentina na escuridão; veja fotos

Fenômeno foi acompanhado de observatórios astronômicos; no Brasil, Lua fez sombra parcial

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 18h31
Atualizado 03 de julho de 2019 | 14h13

Um eclipse total de Sol colocou nesta terça-feira, 2, em completa escuridão uma faixa de 150 quilômetros, do norte do Chile à Argentina, deixando milhares de pessoas encantadas. Do Brasil, foi possível contemplar o fenômeno apenas parcialmente em algumas cidades, como Porto Alegre

Minutos antes de as regiões de Coquimbo e Atacama, no Chile, escurecerem por completo, em plena tarde, às 16h39 (hora local), reinava o silêncio absoluto. Mas, à medida que o Sol era encoberto pela Lua, aplausos e gritos emergiam. 

“Meu Deus, é incrível”, gritaram algumas das centenas de pessoas que subiram até o observatório La Silla, localizado a cerca de 2,4 mil metros de altura, em La Higuera, a 535 quilômetros de Santiago.

Cerca de 20 minutos antes do início do eclipse, a temperatura caiu e uma leve brisa começou a percorrer a região. “A verdade é que, ainda que saibamos o que vai acontecer, é chocante o minuto em que começa a vir a sombra da escuridão e começa esse silêncio”, disse Sonia Duffau, astrônoma chilena. 

O eclipse desta terça foi considerado o evento astronômico do ano. Isso porque foi visível da região de La Serena, no Chile, onde há 17 observatórios. O evento encheu cidades e povoados chilenos de pesquisadores e turistas. Entre 300 mil e 350 mil pessoas se deslocaram para as regiões de Coquimbo e Atacama por causa do eclipse. No Atacama, o fenômeno foi traduzido em sons para um grupo de homens e mulheres cegos que queriam sentir a experiência. 

Na capital, Santiago, coberturas de edifícios altos no centro da cidade, praças e parques se encheram de gente. Colégios fecharam mais cedo para que estudantes pudessem participar de oficinas sobre o fenômeno e escritórios também encerraram o expediente antes da hora habitual. Algumas companhias aéreas fretaram aviões com convidados especiais que queriam contemplar, do alto, o eclipse.

Na Argentina, o principal ponto de observação foi a região de Cuyo, transformada em passeio turístico por milhares de pessoas. Já na capital, Buenos Aires, não foi possível ver nada por causa da inclinação do sol perto do horizonte na hora do fenômeno, além das nuvens e prédios. Em La Paz, na Bolívia, e Quito, no Equador, foi possível ver o eclipse de modo parcial. 

“Chile é hoje a capital do mundo na Astronomia”, disse o presidente Sebastián Piñera, que foi ao observatório La Silla e depois a La Higuera. Operado pelo Observatório Europeu do Sul (ESO), La Silla vinha se preparando há anos para este momento.

"Muito poucas vezes aconteceu de a totalidade de um eclipse ser vista de um observatório. A última vez foi no ano de 1991 (no observatório Mauna Kea, no Havaí)”, disse o astrônomo do ESO, Matías Jones. Cientistas usam os eclipses para comprovar algumas teorias e colocar em prática experimentos. “Os eclipses são uma chance de estudar a parte externa, que é a coroa, já que a Lua está cobrindo toda a parte central do Sol”, explicou Jones.

Há também interesse em desvendar o comportamento de animais e plantas durante a brusca escuridão. Cientistas que já se debruçaram sobre os efeitos do fenômeno nas plantas constataram redução na fotossíntese e na transpiração, como se elas se preparassem para a noite.

O próximo eclipse total do Sol será visível no Brasil em 12 de agosto de 2045, na Região Nordeste. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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