Ecologistas criticam posição brasileira em Bonn

Ambientalistas marcaram sua posição contra o governo brasileiro na Conferência Internacional de Energias Renováveis, em Bonn, criticando duramente o pronunciamento da ministra das Minas e Energia, Dilma Rousseff. Ela reafirmou a nova postura em favor das usinas hidrelétricas, agora consideradas pelo governo como fonte mais importante e mais barata para o suprimento de eletricidade na região."O discurso da ministra foi uma decepção geral para as ONGs aqui presentes e também para vários delegados da conferência," disse o representante da Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (FBOMS) Rubens Born."O Brasil poderia ter se aproveitado da liderança e papel-chave desempenhado pelo País desde Johannesburgo, na Rio+10, para concretizar projetos em energias renováveis e atrair recursos dos negociadores", explica ele. "Mas não foi o que aconteceu. Ocorre que o País foi à conferência representando a América Latina e Caribe, e o sistema de hidrelétricas não é adequado para todos eles. Foi um péssimo sinal político."Pelas barragens"Usando uma analogia que o nosso presidente gosta, o Brasil estava com a bola na frente do gol sem goleiro", disse o representante do Greenpeace Marcelo Furtado, outro brasileiro presente à Conferência. "A ministra resolveu brigar pelas barragens. Agora vai perder liderança e os possíveis recursos de investidores.""A ministra deveria ter se concentrado na Plataforma de Brasília, já discutida, e ter falado de programas como o Proinfa," de acordo com Born. O Proinfa é um programa coordenado pelo Ministério das Minas e Energia do Brasil que estabelece a contratação de 3.300 MW de energia no Sistema Interligado Nacional, produzidos por fontes eólica, biomassa e pequenas centrais hidrelétricas, sendo 1.100 MW de cada fonte. "Não há garantia para depois de 2006."Energias limpasA ministra falou ao plenário na quinta-feira e, além da polêmica defesa das hidrelétricas, reafirmou o compromisso do Brasil e de toda a América Latina e Caribe com as energias limpas, como chave para o desenvolvimento econômico e a superação da pobreza."As energias renováveis abriram perspectivas de desenvolvimento em regiões aptas para sua exploração, já que permitem um aproveitamento ecológico de seus enormes recursos naturais", disse a ministra. "Em grande parte da América Latina, já se alcançou 14,7% de consumo energético gerado por fontes renováveis e o objetivo é seguir adiante nesse processo."No entanto, "milhões de brasileiros ainda vivem à luz das velas", por não terem acesso à energia, segundo Dilma, o que tornou necessário avançar no desenvolvimento de fontes energéticas "independentes" e baseadas nos próprios recursos naturais.

Agencia Estado,

04 de junho de 2004 | 10h58

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