Efeito de baixas calorias pode vir sem "dieta de fome"

Os mesmos efeitos benéficos do consumo restrito de calorias, que prolonga a vida em experimentos realizados com animais, podem ser obtidos sem precisar se submeter a uma "dieta de fome", de acordo com estudo do Instituto Nacional de Envelhecimento dos Estados Unidos. Os pesquisadores compararam resultados obtidos com macacos rhesus, submetidos a severas restrições calóricas, com os dados de um levantamento feito com mais de 700 homens em Baltimore, Maryland.Ao longo de 15 anos, a mortalidade entre os macacos que consumiram menos calorias foi a metade (15%) do grupo com alimentação normal (30%). A maior longevidade foi associada a três marcadores biológicos, relacionados à dieta especial: temperatura corporal mais baixa, menores índices de insulina no sangue e maior concentração do hormônio DHEAS, que costuma decair com a idade. Os pesquisadores então analisaram o estudo de Baltimore, que durou 25 anos, e descobriram que os homens que viviam mais apresentavam as mesmas características, mas com uma dieta normal. "Isso sugere que há outras modificações de estilo de vida que podem trazer os mesmos benefícios que uma restrição calórica", disse o pesquisador George Roth, coordenador do estudo.Descobrir quais são essas modificações é o próximo passo da pesquisa, publicada na revista Science. Experimentos prévios, realizados com pequenos animais, demonstram que restrições calóricas podem aumentar a longevidade, mas nada foi provado ainda em seres humanos. A técnica requer o consumo de calorias 30% a 50% abaixo do ideal, o que pode ser prejudicial para a saúde sem um acompanhamento nutricional rigoroso. "Não estamos sugerindo que ninguém deixe de consumir calorias para viver mais", adverte Roth. O objetivo é justamente encontrar caminhos alternativos para esse objetivo."O estudo não está voltado para diminuir a ingestão calórica mas para bolar medicamentos que atuem sobre o metabolismo dessas calorias", avalia a nutricionista Claudia Juzwiak, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Os fatores que contribuem para isso podem ser genéticos ou ambientais, ou ambos. Ainda não sabemos."

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