Egípcios viviam em condições precárias na época dos faraós

É o que mostra um estudo que analisou o que sobrou dos egípcios comuns em um cemitério de Tell el-Amarna

Alaa Shahine, da Reuters,

28 de março de 2008 | 16h38

Novas evidências de uma população egípcia que vivia em condições precárias de saúde e trabalho, em contraste às imagens de riqueza e poder que se tinha dessa civilização até o momento, foram encontradas na cidade de Tell el-Amarna, no Egito.   Essa cidade foi, por um breve período de tempo, a capital do Egito Antigo durante o reinado do faraó Akhenaton, que abandonou a maior parte dos deuses adorados no reino para fundar o culto de Aton (disco do sol). A cidade foi abandonada pouco após sua morte e a ascendência do famoso faraó-menino Tutankhamon ao trono.   Estudos do que sobrou do povo comum do Egito dessa época, encontrados em um cemitério na cidade, mostram que muitos deles tinham de anemia, ossos fraturados, baixo peso e altas taxas de mortalidade juvenil, de acordo com os professores Barry Kemp e Gerome Rose que coordenaram a pesquisa.   Rose, professor de antropologia da Universidade de Arkansas nos Estados Unidos, disse que adultos enterrados nesse cemitério foram provavelmente trazidos de outras partes do Egito.   "Isso significa que houve um período de privação no Egito anterior à fase de Amarna", disse o pesquisador na audiência de arqueólogos e egiptólogos no Cairo, na quinta-feira, 27.   "Talvez as coisas não fosse assim tão boas para o egípcio médio e talvez o que Akhenaton dizia era que nós temos que mudar para melhorar as coisas", disse.   Kemp, diretor do Projeto Amarna, que busca, entre outras coisas, aumentar o conhecimento público de Tell el-Amarna e região, disse que pouca atenção tem sido dada aos cemitérios de egípcios antigos comuns.   "Um número muito grande de cemitérios comuns foram escavados, mas somente atrás de objetos, dando pouca atenção aos restos humanos", contou. "A idéia de tratar restos humanos para estudar a saúde da população em geral é relativamente nova."   Pinturas nas tumbas dos nobres mostram um mundo de abundância e oferendas, mas os restos das pessoas comuns contam outra história.   Rose mostrou fotos de lesões espinhais em adolescentes, provavelmente causadas durante as construções de monumentos na cidade.   O estudo também mostrou que a anemia estava presente em 74% das crianças e adolescentes e 44% dos adultos. A altura média dos homens era de 1,59 metro e das mulheres 1,53 metro.   "A altura de adultos é usada como parâmetro de tipo de vida geral", disse Rose. "Baixas estaturas refletem uma dieta deficiente em proteína."   Kemp disse acreditar que as próximas escavações de Tell el-Amarna vão confirmar esses resultados preliminares.   "Queremos saber melhor como era a vida na época. Não tem nada a ver com as intenções de Akhenaton, que podem ter sido boas os más."

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