El Niño agora poderá ser previsto até dois anos antes

O aquecimento periódico das águas do Pacífico equatorial, fenômeno conhecido como El Niño, que pode alterar as condições do tempo em grande parte do mundo, é mais previsível do que se pensava, dizem pesquisadores.Até agora, alguns métodos tiveram êxito limitado em prever o fenômeno com poucos meses de antecedência. Mas, agora, pesquisadores da Universidade de Colúmbia dizem que uma nova técnica pode vaticinar a aparição de El Niño com até dois anos de antecedência.O novo método poderá ser uma benção para governos, agricultores e qualquer planejador que precise saber de antemão se terá seca ou as chuvas torrenciais, que o fenômeno costuma produzir, pela frente. Através de cálculos de computador, os pesquisadores compararam as temperaturas da superfície marinha do Pacífico com aparições de El Niño entre 1980 e 2000.Analisando as temperaturas de temporadas anteriores, eles puderem ?vaticinar? o surgimento do fenômeno em épocas passadas da história meteorológica até meados do século 19. Os resultados do estudo aparecerão na edição de amanhã da revista Nature.Os cientistas admitem que o método não é perfeito, mas Bryan C. Weare, meteorologista da Universidade da Califórnia que não esteve envolvido na pesquisa, acha que ela ?demonstra que El Niño na verdade é previsível?.?Isto provavelmente levará outros a continuar as investigações para chegarem a métodos melhores para prever o fenômeno?, Weare acredita.O novo método ?torna possível prever El Niño com bastante antecedência?, diz o autor principal do estudo, Dake Chen, do Observatório Lamont-Doherty da Universidade de Colúmbia. A capacidade de prever a mudança de temperaturas do Pacífico é de uma importância imensa.Em 1977, por exemplo, El Niño provocou cerca de 20 bilhões de dólares em prejuízos em todo o mundo, embora também tenha trazido benefícios a algumas regiões, diz David Anderson, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo, de Reading, Inglaterra.Um fenômeno similar, em 1877, causou seca na Índia, provocando a morte de cerca de 40 milhões de indianos e também de chineses, lembra Anderson.Apenas na China, os Niños de 1991 e 1997 afetaram, com suas inundações, pelo menos 200 milhões de pessoas, segundo um informe da ONU.

Agencia Estado,

14 de abril de 2004 | 15h14

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