Em busca de solidariedade internacional

Mesmo os representantes de países industrializados fizeram coro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, hoje , durante a reunião Rio+10 Brasil, no Rio de Janeiro, em seu discurso sobre a necessidade de pressionar os países ricos para garantir mecanismos efetivos de redução da pobreza e de preservação ambiental. Tanto o primeiro ministro da Suécia, Göran Person, como o vice primeiro ministro do Reino Unido, John Prescott, concordaram em levar uma mensagem "enérgica" ao G8 (grupo dos 8 países mais ricos), que se reúne ainda este mês, no Canadá. A intenção é promover uma revitalização do Fundo Ambiental Global (cuja sigla, em inglês, é GEF), principal instrumento de financiamento das iniciativas relacionadas às convenções assinadas na Rio92 - Mudanças Climáticas e Diversidade Biológica - além de documentos semelhantes, que tratam da desertificação, poluentes orgânicos persistentes e das águas internacionais."Visto que a globalização do jeito que vai, não vai, vai mal, precisamos ter mecanismos, que contrabalancem o sentimento dos povos, de que a globalização só serve para os ricos", afirmou o presidente Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à imprensa. "Temos que criar mecanismos efetivos e fazer com que haja solidariedade internacional nestas questões, que são chave, como a pobreza, acesso a mercados, transferência de tecnologias e, claramente, a questão da preservação do meio ambiente". A dificuldade é a resistência dos Estados Unidos, porém, conforme FHC, eles estão entre os países mais ricos, mas ainda representam um país só. "E tem uma opinião pública interna influente, que deve ser mobilizada"."Lembramos que os Estados Unidos não são o único país rico, existem outros e seu comprometimento é importante: se todos estão comprometidos, os EUA não podem ficar sozinhos de fora", reiterou o primeiro ministro sueco, Göran Person. "Desde a reunião de Estocolmo, em 1972, muito se fez na direção errada, mas muito mais se fez na direção certa, então há esperança de um futuro com mais possibilidades".Para o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, é fundamental garantir a presença do G8 na Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, em Joanesburgo, em agosto e setembro próximos. "A economia, o meio ambiente e o desenvolvimento social são partes interconectadas do todo", enfatizou. "Além de ir a Joanesburgo, é importante que eles adotem posições, que tragam resultados positivos".Entre estes resultados, a expectativa é de que esteja a revitalização do GEF, considerado O instrumento financeiro da Rio92. "Ninguém discute: o GEF é um instrumento bom, eficiente e quase único e agora estamos no momento de decidir sobre sua reposição", ponderou Klaus Toepfer, diretor do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (PNUMA)."Não temos a decisão final, especialmente dos EUA, mas os países desenvolvidos estão comprometidos com um aumento substancial e eu, sinceramente, acredito que chegaremos lá". Até agora, só os países europeus se comprometeram a chegar ao limite superior previsto para esta fase do fundo, que é de US3,1 bilhões. Falta a palavra final dos Estados Unidos e do Japão. "Acho que o Japão vai seguir a decisão geral, por isso o mais importante é conseguir a acordo com os norte americanos", reforçou Toepfer.

Agencia Estado,

24 de junho de 2002 | 16h15

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