Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Em evento no Rio, Carlos Minc critica a Igreja Católica

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) defendeu que funcionários públicos do Estado 'saiam do armário'

Felipe Werneck, da Agência Estado,

18 de maio de 2009 | 18h37

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, criticou a Igreja Católica em discurso ontem no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, durante cerimônia de instalação do Conselho Estadual dos Direitos da População de LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). "Tem alguns momentos em que a Igreja erra feio. Um deles é a questão da camisinha. Se a gente fosse atrás da Igreja, quantas pessoas não estariam doentes?", discursou o ministro, em meio a aplausos da plateia.

 

documentoPlano Nacional de Promoção da Cidadania LGBT

 

"Outra questão é a da homofobia. Como é que uma religião pode dizer que é fraterna e solidária com todos se pressiona os parlamentares a não aprovarem a lei que criminaliza a homofobia?", indagou, em seguida, o ministro. Para ele, quem cria obstáculos à aprovação do projeto de lei "é corresponsável pela multiplicação dos crimes que nada têm de fraternos e solidários". Segundo Minc, 3 mil pessoas morreram no País em dez anos por causa de crimes homofóbicos.

 

Também em discurso, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) foi aplaudido ao defender que funcionários públicos do Estado "saiam do armário". "Quando se vai a São Francisco, a Nova York, na parada gay, aparece a polícia uniformizada, os gays da polícia assumindo. A Polícia Civil, a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, a Defensoria, eu conclamo a todos os membros do governo que no dia da parada gay se identifiquem." O governador disse que já lançou o desafio ao secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, mas reconheceu que ele "ficou olhando com aquela cara de gaúcho invocado".

 

Minc e Cabral foram os autores, quando parlamentares, da lei estadual que já garantiu direitos previdenciários a cerca de 200 companheiros de ex-funcionários públicos homossexuais. O ministro se disse um defensor também da "biodiversidade sexual".

 

Para Cláudio Nascimento, coordenador do Programa Estadual Rio Sem Homofobia, o conselho será um canal com o governo para estabelecer políticas e fiscalizar as já existentes. "Vamos garantir a todos os homossexuais que assumirem dentro das secretarias que não haja situação de discriminação e preconceito." Segundo ele, serão investidos R$ 4 milhões este ano na criação do Disque Cidadania LGBT, de 8 centros de referência e na formação de policiais civis e militares sobre diversidade sexual e combate à homofobia.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.