Em mesquita, papa pede harmonia entre cristãos e muçulmanos

No pronunciamento, Bento XVI referiu-se a Deus como 'misericordioso e compassivo', tradicional frase islâmica

Reuters, REUTERS

09 de maio de 2009 | 17h52

O papa Bento XVI visitou neste sábado uma mesquita em mais uma tentativa de fortalecer laços com o Islã, depois que um discurso do pontífice ofendeu a comunidade islâmica em 2006. O papa também conclamou cristãos e muçulmanos a juntos defenderem a religião das manipulações políticas. Falando da moderna mesquita do rei Hussein em Amã, ele pediu harmonia e união de propostas entre as duas maiores religiões do mundo, dando continuidade ao tema principal da sua viagem ao Oriente Médio. "Eu acredito firmemente que cristãos e muçulmanos podem abraçar a tarefa da cooperação particularmente através das nossa respectivas contribuições à aprendizagem, ao conhecimento acadêmico e aos serviço público", afirmou o papa a líderes islâmicos e diplomatas na mesquita. Dirigindo-se ao papa, o príncipe Ghazi bin Muhammad bin Talal lembrou a "dor" sentida por muçulmanos ao redor do mundo em 2006, depois que Bento XVI citou um imperador bizantino que disse que o Islã era irracional e violento. Ghazi, primo do rei da Jordânia Abdullah, disse que os muçulmanos "apreciaram" a explicação do Vaticano e aceitaram que o papa não estava expressando opinião própria no momento, mas sim fazendo uma citação histórica.         O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que o papa não tirou os sapatos ou rezou enquanto estava na mesquita -- como fez durante sua primeira visita a uma mesquita, em 2006, na Turquia -- mas que fez uma pausa para "um respeitoso momento de reflexão". Lombardi disse que o papa não tirou os sapatos porque seus anfitriões não pediram que o fizesse. No seu pronunciamento na mesquita, Bento XVI referiu-se a Deus como "misericordioso e compassivo", usando a expressão que os muçulmanos usam quando falam de Deus. Bento XVI disse que, embora ninguém possa negar uma história de tensões e divisões, cristãos e muçulmanos devem tentar prevenir "a manipulação da religião, as vezes para fins políticos".

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