Em Poznan, Gore elogia plano contra desmatamento do Brasil

Prêmio Nobel da Paz de 2007 discursou a favor de postura de emergentes em conferência climática da ONU

Andrei Netto, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2008 | 12h23

O ex-vice-presidente dos Estados Unidos e prêmio Nobel da Paz, Al Gore, disse nesta sexta-feira, 12, em Poznan, na Polônia, que os países em desenvolvimento tornaram-se líderes e elogiou a China e o Brasil em seu discurso na 14ª Conferência do Clima das Nações Unidas. Em referência direta ao tema, o ex-vice presidente classificou de "impressionante" o plano proposto pelo governo brasileiro para enfrentar o desmatamento. Veja também: ONU deve convocar cúpula do clima para setembro em NYBrasil é exemplo de economia verde, diz Ban Ki-moonMinc anuncia ação para fomentar tecnologia verdeAndrei Netto faz um balanço da reunião do clima de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (2)  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (3)  Andrei Netto fala sobre a reunião de Poznan (4)  Brasil fica em 8º lugar em índice de mudança climáticaEntenda a reunião sobre clima da ONU na Polônia Quiz: você tem uma vida sustentável?  Evolução das emissões de carbono   Acompanhe a reunião de Poznan Página oficial da conferência    Al Gore chegou ao Alpine Accentor, um dos principais auditórios da conferência, às 13h15min, e foi recebido com aplausos em pé por uma multidão de delegados, ambientalistas, militantes de organizações não-governamentais (ONGs) e jornalistas. Em discurso de quase 45 minutos, ele enumerou os motivos pelos quais se diz esperançoso e rasgou elogios à China, mencionando o plano chinês de investimentos US$ 586 bilhões em incentivos à economia verde até 2010: "A China está pronta para liderar os esforços", sentenciou, referindo-se às mudanças climáticas. A seguir, o Nobel afirmou: "Os países em desenvolvimento também se tornaram líderes. O Brasil propôs um impressionante plano para enfrentar o desmatamento", disse, em alusão ao Plano Nacional de Mudanças Climáticas (PNMC), anunciado em Brasília pelo Ministério do Meio Ambiente em 1o de dezembro, às vésperas da abertura da COP 14. Criticado por ONGs, o projeto prevê a redução do desmatamento da Amazônia em 73% até 2017.Al Gore pediu que os líderes políticos reunidos em Poznan concentrem esforços em integrar as políticas que vêm sendo anunciadas por países em desenvolvimento e exortou os países desenvolvidos a unirem-se ao esforço. Sobre a conferência em andamento - cujas negociações entraram no último dia e ainda apresentam pontos de forte desacordo -, o norte-americano se disse muito otimista. "Uma vez que o processo de mudança começa, que as decisões são tomadas, fica mais fácil seguir em frente", argumentou. Mencionando sua recente reunião com o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, o Nobel reafirmou que seu país participará de forma ativa de um novo acordo internacional para redução das emissões de gases de efeito estufa: "O presidente eleito Barack Obama me afirmou que esta é uma de suas top priorities. Ele enfatizou que, uma vez no poder, os Estados Unidos vão se engajar vigorosamente nas negociações", assegurou, referindo-se à rodada de negociações previstas para ocorrer na COP 15, em Copenhague, em dezembro de 2009. "O acordo pode ser feito. E será feito."Usando o bordão de campanha, Al Gore encerrou: "Sim, nós podermos". SucessoO PNMC também já havia sido elogiado ontem pelo secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, na abertura das reuniões alto nível. Em sua declaração, o sul-coreano elogiou países em desenvolvimento como China, Brasil e Índia, ao lado da Dinamarca, por seus esforços na luta contra o aquecimento. "O Brasil tem construído uma das economias mais verdes do mundo, criando milhões de empregos neste processo", afirmou. Horas mais tarde, questionado em entrevista coletiva, Ki-moon reforçou: "O Brasil é um dos muitos países que pode demonstrar liderança nas negociações".

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