"Em questões ambientais, EUA não agem como líder mundial"

"Se queremos liderar o mundo, não podemos ir a outros países e dizer não façam o que estamos fazendo". Assim o governador do estado norte-americano de Maryland, Parris N. Glendening, resumiu suas críticas à política ambiental dos Estados Unidos, em discurso na Conferência da Sociedade de Jornalistas Ambientais (SEJ), hoje, em Baltimore. "Os EUA demonstraram sua capacidade de liderança, em assuntos como a Guerra Fria, na defesa do livre comércio e na guerra contra o terrorismo, mas na hora de combater as verdadeiras ameaças a nosso meio ambiente os Estados Unidos, como nação, não tem agido como líder mundial", disse.Maryland, há 8 anos sob o governo de Glendening, é reconhecido como um dos estados mais avançados em termos de promoção de crescimento econômico sem destruição ambiental. Tem a mais alta renda familiar do país e as mais baixas taxas de pobreza e pobreza infantil. Glendening conseguiu implementar o que eles chamam de Crescimento Inteligente (Smart Growth), combatendo a urbanização excessiva e promovendo a despoluição da Baía de Chesapeake, através da redução das descargas de esgotos e efluentes industriais e da recuperação da vegetação das margens dos rios, que nela desembocam. A experiência é considerada um modelo mundial de sucesso.Em seu discurso, o governador criticou as recentes licenças de mineração em topos de montanhas e o abrandamento da legislação de proteção a rios, lagos, pântanos e outras áreas úmidas, além de considerar uma falta de visão a intenção do governo federal abrir o Refúgio Nacional de Vida Selvagem do Ártico e as Montanhas Rochosas para exploração de petróleo. "Vimos 160 países concordarem com um tratado mais agressivo relativo ao aquecimento global e os EUA continuam a rejeitar o Protocolo de Kyoto", protestou. E destacou os comentários feitos por autoridades brasileiras, quando de sua visita ao Rio de Janeiro, há 3 anos, para conversar sobre o programa de despoluição da Baía de Guanabara. "As lideranças ambientais brasileiras me mostraram o quanto estamos construindo nossa prosperidade às custas do nosso ambiente", continuou. "Estamos cortando nossas florestas da Costa Leste em nome do progresso e do desenvolvimento econômico. Não podemos sair dizendo a outros países o que fazer, devemos, antes, proporcionar opções mundiais realistas de crescimento econômico com proteção ambiental".A proposta de ação de Glendening seria uma espécie de Plano Marshall Ambiental, numa referência ao plano de recuperação econômica, adotado após a II Guerra Mundial. Agora, o foco central deveria ser, a seu ver, a interconectividade do meio ambiente global e a obrigação de todas as pessoas agirem agressivamente em prol do meio ambiente, em casa e no mundo. Num comentário à Agência Estado, ele destacou como equivocadas as políticas norte-americanas, que restringem o crescimento de outros países. Na sua opinião, todas as nações, os EUA inclusive, deveriam buscar o crescimento sustentável.

Agencia Estado,

11 de outubro de 2002 | 16h14

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