AFP PHOTO / Robyn Beck
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Em SP, 'Lua de sangue' do eclipse pode ser vista em prédios altos e no Ibirapuera

Eclipse lunar terá duração de 1h49 na capital paulista; quanto mais próximo da costa leste do País, como Nordeste e áreas próximas ao litoral do Sudeste e do Sul, maior será o tempo de visualização do fenômeno

Juliana Diógenes, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2018 | 12h52

O mais longo eclipse lunar do século 21 poderá ser visto a olho nu - se as nuvens permitirem - de prédios altos de São Paulo já a partir das 17h30 desta sexta-feira, 27. Para os paulistas, o eclipse vai durar pouco mais de meia hora. A previsão é de que a Lua nasça sangrenta e escura às 17h38, com totalidade atingida às 17h41. O astro começa a sair da sombra às 18h13 e o fenômeno se encerra às 20h28.  

O planetário do Parque do Ibirapuera terá observação por dois telescópios, com a presença de cientistas e especialistas. Os telescópios estarão disponíveis na arena de eventos, próximo ao Museu Afrobrasil. Quem quiser contemplar o fenômeno precisará prestar atenção aos horários, já que o eclipse total já terá passado da metade da duração quando a Lua cheia surgir no céu brasileiro.

Segundo Fernando Nascimento, diretor dos planetários do Carmo e do Ibirapuera, não há como prever se será possível ver a lua nascer sangrenta e escura do horizonte, considerando a altitude do planetário em relação à cidade e as próprias árvores do parque. Outro fator que interfere é a previsão do tempo, como a quantidade de nuvens no céu, por exemplo. Nascimento explica que a poluição da capital paulista também atrapalha a visualização do eclipse. 

"São Paulo inteira pode ver a lua nascer completamente diferente hoje. Vai estar escura e avermelhada. Vamos ter o privilégio de ver um nascer da lua único, uma lua sangrenta", diz o diretor dos planetários. "O que posso recomendar para diminuir a chance de frustração é que a pessoa vá para um lugar alto sem nuvens. Suba no topo de um prédio. Sem binóculo ou telescópio. Mire para o leste, contrário ao lado em que o Sol se pôs, e espere a lua nascer por volta das 17h30".

Já a aproximação do planeta Marte, que está mais brilhante, pode ser visto com mais facilidade de qualquer lugar. A vantagem de ir até o Ibirapuera é poder contemplar os detalhes do planeta com as explicações de cientistas no local. "A prioridade dos telescópios será Marte, antes mesmo da Lua, e em seguida os outros planetas. Na medida do possível, será possível acompanhar a Lua pelo telescópio. Mas a noite estará repleta de planetas. Neste inverno, podemos ver Vênus no início da noite, Júpiter, Saturno e Marte também".

As observações da Lua e de Marte vão durar de 17h30 às 20h30 no Planetário Ibirapuera. Em seguida, terá início uma sessão especial e um debate debate sobre a descoberta de água em estado líquido no planeta Marte. O bate-papo está previsto para iniciar às 20h30 e encerrar às 22h no planetário. 

Perguntas e respostas

No que consiste o eclipse lunar desta sexta?

​O professor Paulo Bretones, do Departamento de Metodologia de Ensino da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), explica que eclipses lunares só acontecem na fase cheia da Lua, quando ela penetra na sombra em forma de cone que a Terra projeta no espaço. “Imagine que o Sol está no centro de uma mesa, com a Terra girando em torno dele nesse mesmo plano. A Lua também está girando em torno da Terra, mas o plano de sua órbita é inclinado um pouco mais de 5 graus em relação à face da mesa. Embora a Terra projete sempre a sua sombra não a percebemos porque geralmente a Lua passa acima ou abaixo dela”, explica Bretones. “Assim, quando a Lua cruza o plano da órbita da Terra e, além disso, o Sol, a Lua e a Terra ficam alinhados, ocorre um eclipse lunar.”

Ao passar entre o Sol e a Lua, a Terra produz uma sombra escura sobre o disco lunar – a umbra – e a penumbra, que é uma região cinzenta. Só quando a Lua está completamente mergulhada na umbra se considera que há um eclipse total em curso. O eclipse parcial ocorre quando só uma parte da Lua está na umbra. E o eclipse penumbral acontece quando só se vê a Lua coberta pela penumbra.

Em qual horário e de onde será possível observá-lo?

Todo o Brasil poderá ver nesta sexta-feira, 27, o eclipse lunar. Quanto mais próximo do litoral leste do País (costa leste do Nordeste, áreas próximas ao litoral do Sudeste e do Sul), maior será o tempo de visualização do fenômeno. O eclipse só será visível - parcial ou totalmente - em metade do mundo: África, Europa, Ásia, Austrália e na parte leste da América do Sul. Os melhores posicionados para assistir ao espetáculo serão os habitantes da África, do Oriente Médio e da Índia.

A parte mais impressionante do fenômeno ocorrerá das 16h30, quando a Lua ainda estará abaixo da linha do horizonte. Em São Paulo, terá duração de 1h49, começando às 17h41. Entre as capitais, se não houver problema com nebulosidade, o maior tempo de visualização será em Recife, segundo a Climatempo, onde o evento terá duração total de 3h14min, com início às 17h15min, em Natal, onde o eclipse começa às 17h19 e terá duração de 3h09min, e em João Pessoa, onde o eclipse total lunar poderá ser visto por 3h12min, a partir de 17h16min.

Preciso de equipamentos específicos?

Você não vai precisar de nenhum equipamento especial para ver o eclipse lunar total, apenas dos seus olhos e de paciência, informa a Climatempo. Eclipses lunares podem ser observados a olho nu, mas se você tiver um binóculo, de preferência um especial para a observação astronômica, ou uma câmera fotográfica digital terá uma visão privilegiada.

O que pode atrapalhar a visualização?

No período do eclipse penumbral, mesmo que o céu esteja sem nuvens, se você estiver num centro urbano, onde há muita luz artificial que produz o que os astrônomos chamam de "poluição luminosa", a visualização do eclipse não será boa quanto num lugar escuro, com pouca luz artificial . Mas se você for, por exemplo, para uma estrada onde já não tenha mais os postes de iluminação pública, já estará num local suficientemente escuro para ter uma visão mais nítida do eclipse, lembra a Climatempo.

Por que a lua visível nesta sexta está sendo chamada de “lua de sangue”?

Quando estiver totalmente imersa na umbra, a Lua não ficará invisível, mas deverá ganhará uma cor de cobre, avermelhada, “de sangue”. Isso ocorre porque, embora a sombra da Terra não deixe que os raios de Sol cheguem diretamente à Lua, ela é atingida por raios que são refratados pela atmosfera terrestre.

“Os componentes da luz branca que produzem as cores vermelha e laranja se espalham mais pela atmosfera, cobrindo o céu com essas cores semelhantes às que vemos no alvorecer e no crepúsculo. A refração transforma as cores em sombra, por isso a Lua fica avermelhada”, explica o professor Bretones.

E quanto à aproximação de Marte, é um fenômeno frequente?

De acordo com o jornal americano The New York Times, a oposição, como é chamada a aproximação, é um alinhamento que ocorre uma vez a cada dois anos. Durante esse evento, o planeta vermelho aparecerá mais brilhante que as estrelas. Normalmente, o planeta mais brilhante no céu da Terra é Vênus seguida por Júpiter. Mas, nesta sexta, Marte emanará tanta luz quanto elas.

agência espacial americana Nasa tende a lançar suas missões espaciais a Marte nesses períodos de aproximação. Por exemplo, as missões que lançaram os robôs Opportunity e Spirit aconteceram em 2003. Naquele ano, a aproximação atingiu a menor distância em 60 mil anos. /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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