Em vez de amianto, fibrocimento vegetal nas telhas

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um material alternativo para substituir o amianto na fabricação de telhas e caixas d?água, sem pôr em risco a saúde de quem trabalha na produção. O novo composto, que atende pelo nome técnico de fibrocimento vegetal, é feito de uma mistura de cimento, resíduos siderúrgicos (escória) e fibras vegetais (de bananeira, sisal, coco, eucalipto ou outras plantas) e sintéticas.A USP já está solicitando o patenteamento do produto e dos processos de fabricação. O projeto de desenvolvimento foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Também contou com a cooperação de empresas, que já estão produzindo comercialmente caixas d?água com o novo produto.É o caso da Infibra e da Permatex, duas empresas de um mesmo grupo empresarial de Leme. ?Fabricamos 7 mil caixas d?água de fibrocimento vegetal por mês?, diz Luiz Fernando Marchi Júnior, diretor industrial das duas.Antes de depositar a patente ? que ainda não tem data para ser aprovada ? no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi) e iniciar a produção comercial, a equipe liderada pelo engenheiro civil Holmer Savastano Júnior, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da USP, em Pirassununga, submeteu as telhas de fibrocimento vegetal a diversos testes para comprovar sua eficiência.Isolamento térmicoForam feitos, por exemplo, testes mecânicos de tração e testes físicos de permeabilidade, densidade e absorção de água. Os ensaios revelaram algumas vantagens dessas telhas em relação às de amianto. Uma delas é sua maior capacidade de isolamento térmico.?Num teste, constatamos que a temperatura ficou 6 graus mais baixa embaixo de uma cobertura de 160 m² feita com telhas de fibrocimento vegetal do que de outra feita com telhas de amianto?, explica Savastano. ?Além disso, nosso produto é mais leve e dura tanto quanto o amianto.?SaúdeA grande vantagem do fibrocimento vegetal, porém, é que não oferece riscos à saúde. O amianto ou asbesto, uma fibra mineral usada na fabricação de telhas e caixas d?água, é perigoso, podendo causar doenças como a asbestose (o material se aloja nos pulmões, comprometendo a capacidade respiratória) e o câncer do pulmão.Por isso, seu uso foi proibido em 42 países, o que poderá ocorrer também no Brasil. Há 13 projetos de lei federais e estaduais nesse sentido. Na França, o Conselho de Estado reconheceu a responsabilidade do governo na contaminação de trabalhadores, responsabilizando-o por não adotar medidas de prevenção de riscos ligados à exposição dessas pessoas à poeira de amianto.No Brasil, uma das três maiores minas do produto fica em Goiás. O Estado e o município de São Paulo haviam proibido por lei o uso do amianto, mas o Superior Tribunal Federal decidiu liberá-lo. Os defensores do produto afirmam que a fibra do amianto brasileiro não é cancerígena, o que desmente institutos de pesquisa médica oficiais da Europa e dos EUA.

Agencia Estado,

30 de abril de 2004 | 13h12

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