Em visita à Escócia, papa diz que Igreja foi relapsa com abuso

O papa Bento 16 criticou nesta quinta-feira os líderes da Igreja católica por terem sido "insuficientemente vigilantes" durante décadas de abusos sexuais do clero contra crianças.

PHILI, REUTERS

16 Setembro 2010 | 09h24

A declaração foi feita no primeiro de quatro dias de uma visita à Grã-Bretanha, um dos países mais laicos da Europa, e num momento em que a Igreja Católica enfrenta no mundo inteiro os reflexos dos escândalos de pedofilia.

Numa de suas declarações mais incisivas já feitas sobre o tema, o pontífice disse a jornalistas no avião que o levou à Escócia que se sentia chocado com a "perversão" do clero.

"Essas revelações foram um choque para mim, uma grande tristeza. É difícil entender como essa perversão no ministério clerical foi possível", afirmou. "É também uma grande tristeza que a autoridade da Igreja não tenha sido suficientemente vigilante e não (tenha sido) suficientemente rápida e decidida para tomar as medidas necessárias", acrescentou.

A visita está sendo marcada também por comentários feitos na véspera por um assessor do Vaticano, que comparou a Inglaterra a um país do Terceiro Mundo.

O papa tem de manter um delicado equilíbrio nas suas relações com a Igreja da Inglaterra (Anglicana), depois de propor, em outubro passado, que fossem facilitadas as regras para a conversão ao catolicismo de anglicanos insatisfeitos com a ordenação de mulheres no clero e a nomeação de homossexuais como bispos.

O papa foi recebido pela rainha Elizabeth II com honras de Estado em Edimburgo e à tarde celebrará missa campal em Glasgow. Milhares de lugares continuam disponíveis, e a polícia estima que um terço do parque ficará vazio.

Mesmo assim, muitos católicos se dizem animados com a visita. "Acho um privilégio que o papa esteja na Escócia", disse a vitrinista aposentada Teresia McFarlene, 65 anos, que esperava a chegada de Bento 16 no centro de Edimburgo.

Já Frances, uma fiel de 70 anos, aposentada dos trabalhos voluntários, disse que a Igreja deveria ter se empenhado mais contra as acusações de pedofilia do clero. "Ela já passou por cismas no passado, está sendo atacada agora, mas não irá submergir", afirmou.

O Vaticano minimizou as declarações do cardeal Walter Kasper a uma revista alemã, em que ele comparou a Inglaterra a um país de Terceiro Mundo, e sugeriu se tratar de uma terra de ateus agressivos.

Kasper, recém-aposentado como chefe da Congregação para a Unidade Cristã -- o departamento do Vaticano responsável pelo diálogo com os anglicanos --, deveria ter acompanhado o papa na visita, mas o Vaticano informou que ele se ausentaria por razões de saúde.

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