Embrapa finaliza Brasil Visto do Espaço

Todo o Brasil já está retratado em mosaicos de imagens de satélite atualizadas e pode ser virtualmente visitado por qualquer pessoa, de graça e via internet. Os mosaicos dos últimos 5 Estados brasileiros, que faltavam para completar a imagem real do país, visto do espaço, foram disponibilizados nesta segunda-feira, pela Embrapa Monitoramento por Satélite, de Campinas, SP.?É um trabalho de fôlego, com certeza o mais abrangente deste tipo, e com acesso franqueado ao público, que vem utilizando as imagens para os mais variados propósitos, da pesquisa científica e gestão ambiental até coisas inusitadas, como suporte para vôo livre?, diz Evaristo Eduardo de Miranda, coordenador do trabalho na Embrapa.O site apresenta uma média de 50 a 60 mil acessos por dia, dos mais diversos usuários. Como a cópia (download) é permitida, desde que preservados os créditos, as imagens de satélite tem sido usadas em salas de aula, em empresas agropecuárias, fazendas, mineradoras, escritórios de engenharia, cooperativas de agricultura orgânica, prefeituras, empresas de telecomunicações, energia e até em agências do Banco do Brasil e na Comissão Pastoral da Terra, sem contar o grande número de órgãos de governo, entidades não-governamentais ambientalistas, universidades e institutos de pesquisa. A extensa lista inclui até um especialista em hidrologia do conceituado Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e o site de suporte a vôos livres Guia 4 Ventos.?Usamos as imagens para avaliar novas áreas de vôo livre à distância, para ver onde há lugares de pouso, como é o relevo, se há estradas para resgate e outros detalhes importantes, casando as informações visuais com as coordenadas geográficas, que controlamos em aparelhos de GPS durante os vôos?, explica Carlos Millan, do Guia 4 Ventos. Em vôos livres à distância, costuma-se percorrer cerca de 30 quilômetros sem motor, em parapentes ou asas delta, dependendo apenas da navegação em correntes de ar.Com ajuda das imagens de satélite também deve ficar mais fácil despertar a administração pública para a importância de se preservarem as regiões de Anitápolis e Rancho Queimado, perto de Florianópolis, onde ficam algumas nascentes de afluentes dos rios Tubarão e Cubatão, este utilizado no abastecimento da capital catarinense. É o acredita o analista de sistemas Cesário Simões, que nas horas vagas faz um site ambientalista, em defesa dos recursos hídricos, contra a urbanização inadequada das pequenas cidades serranas. Ele é um dos milhares de internautas que freqüentam o site da Embrapa, e vinha aguardando ansiosamente a disponibilização das imagens do sul do país.Longa esperaA primeira fase do trabalho ? com os Estados da Amazônia ? foi lançada em novembro de 2000, no site Brasil Visto do Espaço (http://www.cdbrasil.cnpm.embrapa.br). Um ano depois foi concluída a região Nordeste e, em março deste ano, o Sudeste. E agora estão prontos os Estados de Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, realizados a um custo aproximado de R$1 milhão. Como nos casos anteriores, as imagens disponibilizadas na internet permitem zoom, da escala 1:250.000 até a escala 1:25.000, e contam com mapinhas para ajudar na localização, com coordenadas geográficas aproximadas. Desde março último também é possível fazer a navegação por município, o que facilitou muito a identificação de localidades para os leigos.Os arquivos do site têm 50% da resolução dos CD-Roms, a serem editados pela sede da Embrapa, em Brasília. Apenas uma pequena edição ? já esgotada ? de CDs da Amazônia foi vendida ao público. Mas até o fim de agosto próximo deve ser lançada uma edição completa, com um CD para cada Estado, que permitirá ampliar o uso das imagens, nos casos em que a resolução de 100% é importante. A lista de internautas cadastrados para comprar os CD-Roms, tem 1.200 pessoas, algumas aguardando há mais de um ano pelo material.Alta diversidadeA maioria dos Estados com mosaicos recém-editados conta com imagens de 2001 e até 2002. A exceção é um pequeno trecho de Santa Catarina, com imagens de 2000. ?Tivemos que recorrer a imagens mais antigas por problemas com nuvens e, mesmo assim, tem uma região no oeste catarinense onde ainda ficou uma área coberta por nuvens?, explica Carlos Assis Paniago, responsável pelos softwares, que garantem a invisibilidade das emendas, na trabalhosa montagem das imagens de satélite, e permitem alcançar uma qualidade excepcional na visualização via internet. Segundo ele, os últimos Estados demoraram mais porque houve problemas com os contrastes de cores e o excesso de azul, que tornou as cidades mais roxas.As diferenças só são visíveis, porém, aos olhos dos especialistas. Para os internautas visitantes, os passeios sobre os novos Estados revelam mais um pouco da alta diversidade ecológica e da multiplicidade de uso das terras brasileiras. No Pantanal Matogrossense, por exemplo, a infinidade de lagoas da bacia do rio Paraguai se apresenta em diversos tons de azul, enquanto os banhados da planície costeira do Rio Grande do Sul, entre a Lagoa dos Patos e o mar, revelam águas mais escuras (com menos sedimentos), onde costumam se abrigar bandos de aves migratórias, em sua passagem pelo Brasil. No oeste do Paraná, os desmatamentos atingem diversas nascentes, expondo os mananciais à erosão, e as cercas vivas, que delimitam fazendas, são claramente identificadas, assim como os limites do Parque Nacional do Iguaçu, único grande remanescente de matas da região. Do litoral recortado de Santa Catarina até os cânions da serra gaúcha e do norte paranaense, o sobrevôo virtual pelos Estados do sul mostra muitos destinos para o ecoturismo e o turismo de aventura. E expõe também as regiões mais fragilizadas pelo excesso de atividades sem gerenciamento ambiental adequado, como nos arredores de Alegrete, no extremo sul do Rio Grande do Sul, área sujeita a processos de desertificação, e nos campos do alto da serra gaúcha, hoje ameaçados por processos acelerados de florestamento, isto é, substituição dos campos naturais por florestas plantadas, sobretudo com pinheiros exóticos, como o Pinnus elliotis.

Agencia Estado,

08 de julho de 2002 | 17h07

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