Emirados querem "tratar" homossexuais com hormônio

As autoridades dos Emirados Árabes querem "tratar" um grupo de 26 homossexuais detidos durante a celebração de um casamento gay num luxuoso hotel de Dubai, situado no deserto.O coronel Najm Al Howsani, diretor do Centro de Apoio Social do Ministério do Interior, sob cuja custódia ficaram os detidos, disse que os homossexuais serão submetidos "a tratamento psicológico, físico e social", que pode incluir o uso de hormônios masculinos, caso sejam condenados.Segundo os meios de comunicação locais, o possível uso de hormônios para aumentar presença de testosterona no organismo dos detidos se baseia no suposto sucesso de um tratamento anterior com hormônios femininos.Apesar de este ser o mais rico e moderno dos sete países integrantes do grupo dos Emirados Árabes Unidos (EAU), Dubai segue as diretrizes da religião islâmica.PuniçãoAbdul Salam Mohamad Darwish, clérigo muçulmano de destaque, aproveitou o escândalo gerado após a detenção dos homossexuais para lembrar que a "sharia" (lei islâmica) condena as relações homossexuais. "É escandaloso. É contrário à religião islâmica e à cultura dos Emirados", afirmou Darwish.O coronel Al Howsani assegurou que, "segundo a lei islâmica, os suspeitos não serão absolvidos sem receber uma punição", caso sejam realmente culpados. "A sociedade desaprova e renega este tipo de comportamento."Ele lembrou que a lei dos Emirados diz que qualquer acusado de cometer um ato "indecente" em público deve ser punido com seis meses de prisão, pena que pode aumentar em casos de homossexualismo.Apelo dos EUAO porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Sean McCormak, disse que seu governo condena a detenção dos homossexuais e seu tratamento hormonal ou psicológico."Fazemos um apelo aos Emirados Árabes para que interrompam imediatamente qualquer tratamento hormonal e psicológico. Pedimos apenas que cumpram as leis internacionais", disse McCormack.Al Howsani respondeu afirmando que, segundo a Direção Geral da Polícia, agentes do Departamento de Investigação Criminal detiveram os homens, muitos dos quais estavam vestidos com roupas femininas, usavam maquiagem e penteados femininos e ganhavam a vida "exercendo a prostituição".As fotos dos suspeitos, tiradas por um policial com seu telefone celular, foram amplamente publicadas pela imprensa local, apesar de terem sua divulgação proibida.A abertura das investigações para saber como as imagens chegaram à imprensa não impediram que esta ridicularizasse os acusados.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2005 | 12h23

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