Enrique Marcarian/Reuters
Enrique Marcarian/Reuters

Emocionados com a eleição do papa, argentinos correm para as igrejas

Escolha do cardeal Jorge Mario Bergoglio surpreendeu, ele não era um dos mais cotados

Nicolás Misculin e Juliana Castilla, Reuters

13 Março 2013 | 19h11

Em júbilo, católicos argentinos correram na quarta-feira para as igrejas após o surpreendente anúncio de que o cardeal Jorge Mario Bergoglio se tornou o primeiro latino-americano eleito papa. Muitos manifestaram a esperança de que ele consiga promover mudanças numa instituição em crise.

"Espero que ele mude todo o luxo que existe no Vaticano, que guie a Igreja numa direção mais humilde, algo mais próximo do evangelho", disse o procurador aposentado Jorge Andrés Lobato, de 73 anos. "Isso é uma bênção para a Argentina", gritava uma mulher nas ruas do centro de Buenos Aires. Nas igrejas, muita gente chorava.

Poucos argentinos apostavam na escolha de Bergoglio, um jesuíta conhecido por sua vida ascética e por sua dedicação aos pobres.

Em poucos minutos, difundiu-se pelo Twitter a frase "La mano de dios, otra vez", numa referência à famosa "mão de Deus" que Diego Maradona disse ter usado para marcar um gol irregular - mas validado - contra a Inglaterra na Copa de 1986.

Bergoglio, que defende o diálogo em vez do dogma como solução para os problemas da Igreja, usou seu primeiro pronunciamento como pontífice para se referir de forma bem humorada à posição remota do seu país no mapa-múndi. Segundo ele, os cardeais participantes do conclave "foram até o fim do mundo" para encontrá-lo.

Ele será o primeiro papa a usar o nome Francisco, e o primeiro não-europeu desde o sírio Gregório 3º, que pontificou no século 8º.

A eleição de Bergoglio, após pouco mais de 24 horas de conclave, surpreendeu os especialistas, que previam um processo mais demorado em virtude do grande número de cardeais apontados como favoritos para suceder a Bento XVI, que renunciou repentinamente em fevereiro.

Como papa, ele precisará enfrentar desafios colossais, como os abusos sexuais cometidos por clérigos contra menores nas últimas décadas em vários países, e o recente vazamento de documentos que mostravam casos de corrupção e disputas internas na Cúria Romana (a burocracia vaticana).

Ele também comandará uma instituição abalada pelo avanço do secularismo e de religiões concorrentes em diversas regiões, e suspeitas de corrupção no Banco do Vaticano. Acredita-se que todos esses foram fatores que contribuíram para a abdicação de Bento XVI, que alegou não ter mais condições físicas para comandar a Igreja.

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