Empresa anuncia vôo turístico para a Lua em 2008

A Space Adventures, empresa americana que em 2001 pôs em órbita o milionário Dennis Tito - o primeiro turista espacial da história -, anunciou um acordo para mandar turistas à Lua a bordo de foguetes russos a partir de 2008, a um custo estratosférico: US$ 100 milhões por pessoa."Hoje é um dia histórico", disse nesta quarta-feira Eric Anderson, presidente da Space Adventures, empresa com sede na Virgínia, associada à agência espacial russa. "Pela primeira vez, uma empresa privada organiza uma missão tripulada à Lua", acrescentou."O último astronauta deixou a Lua há 32 anos. Já faz muito tempo e agora é hora de voltar", continuou Anderson, durante entrevista coletiva junto com representantes da agência espacial russa e da Energia, fabricante russa de equipamentos espaciais.Dois passageiros poderão embarcar na primeira viagem turística à Lua nos próximos cinco anos, ou talvez já em 2008, dependendo do tempo necessário para o treinamento e os testes técnicos. A passagem custará a cada turista espacial US$ 100 milhões, muito mais que os US$ 20 milhões desembolsados pelo americano Tito para visitar a Estação Espacial Internacional (ISS), há quatro anos. A diferença se justifica pela distância (a Lua fica a 384.000 km da Terra) e pela maior complexidade do "passeio".A viagem, batizada de "Missão DSE-Alfa", será realizada a bordo de uma cápsula russa Soyuz, pilotada por um astronauta também russo, e permitirá ao viajante dar voltas ao redor da Lua a uma centena de quilômetros da superfície do satélite natural da Terra. Sócio do projeto, a Energia - que fornece equipamentos para a parte russa da ISS - prevê duas opções: uma viagem de 9 a 21 dias com escala na ISS ou uma viagem direta para a Lua, de 8 a 9 dias. "Temos grande confiança neste projeto", disse Nikolai Sevastianov, presidente da Energia.Segundo os organizadores, os preparativos serão relativamente fáceis, com modificações menores na Soyuz, como a instalação de uma janela panorâmica e o aumento da proteção térmica na nave de regresso.O projeto é importante para Moscou, explicou Viaheslav Davidenko, porta-voz da agência espacial russa. Davidenko disse ter identificado mais de mil pessoas no mundo capazes de assumir o custo da passagem e afirmou já estar em contato com algumas delas, entre as quais há americanos e um britânico.

Agencia Estado,

10 de agosto de 2005 | 17h10

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