Empresa contrói casas para compensar dano ambiental

Para compensar os danos causados ao meio ambiente do município de Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, durante 38 anos, a Sibra-Eletrosiderúrgica S/A, do grupo Vale do Rio Doce, está construindo 200 casas populares, capacitando profissionalmente os moradores das três localidades mais atingidas e ajudando na criação de uma cooperativa para gerar renda para as famílias.O acordo, inédito na Bahia, foi patrocinado pelo Ministério Público Estadual e será apresentado no Fórum Internacional Ambiental/Soluções Sustentáveis que começa na próxima quinta-feira no Balneário Costa de Sauípe, litoral norte de Salvador.Cláusula passiva ambientalO Ministério Público entrou com uma ação contra a Sibra em 1993 e, no ano passado, quando a siderúrgica já pertencia à Vale do Rio Doce, o acordo foi fechado, prevendo a instalação de novos equipamentos na fábrica e a chamada "cláusula passiva ambiental" que objetivou criar políticas compensatórias para as comunidades atingidas.A Sibra se adequou à Legislação Ambiental Brasileira, comprometendo-se a investir cerca de US$ 10 milhões em segurança do meio ambiente. Já foram instalados filtros antipoluentes nas chaminés e desenvolvido um programa de utilização industrial da escória que está sendo usada na construção civil.A terraplenagem da área onde serão erguidas as primeiras 50 casas começou no dia 15, e as aulas de capacitação de mão-de-obra já foram iniciadas. A previsão é construir 50 casas por ano. "Nós conseguimos um avanço nessa negociação que certamente trará um grande benefício para essa comunidade", comemorou a promotora de Justiça Hortênsia Gomes Filho, que integrou a comissão de negociação com os diretores da Sibra.Resultado ambiental arrasadorFabricante de ferro-liga ao longo de quase quatro décadas, a siderúrgica nunca se preocupou em adotar medidas para diminuir a poluição gerada em todo o processo, desde a chegada da matéria-prima à industria até a disposição dos rejeitos, passando pelas pesadas emissões de material reticulado na fumaça poluente com a queima do minério de ferro. O resultado disse foi arrasador para as áreas vizinhas à fábrica.Os cerca de dois mil moradores dos povoados de Mapele, Cotegipe e Santa Luzia conviveram durante anos com o que chamavam "orvalho negro", a fuligem expelida pelas chaminés da fábrica que cobria as casas e ruas das localidades, provocando doenças respiratórias em várias pessoas.Monturos de escóriaAlém disso, o resíduo final do processo produtivo conhecido como escória, formava monturos dispostos sem qualquer tratamento num terreno próximo a uma área de mangue. Não só o manguesal foi atingido. Levados pela água da chuva, os resíduos chegavam até a Baía de Aratu, ligada à Baía de Todos os Santos, poluindo o local com metal pesado. Os moradores serão capacitados por professores da Universidade Estadual da Bahia e técnicos da Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Salvador. A organização não-governamental formada pelos moradores e criada pela Sibra para administrar o condomínio das novas casas decidirá a quem elas serão destinadas. A principal função dessa ong será desenvolver o potencial da comunidade para gerar renda.

Agencia Estado,

03 de dezembro de 2002 | 17h52

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