Empresa cria teste de identidade baseado em anticorpos

Exame é mais rápido e barato do que teste de DNA e pode auxiliar em investigações policiais

Associated Press

28 de abril de 2008 | 17h15

Pesquisadores federais dos EUA afirmam ter desenvolvido um teste de identificação de indivíduos que é mais rápido e possivelmente mais barato do que o teste de DNA. Essa seria uma arma útil e poderosa no arsenal dos detetives, especialistas forenses e militares, embora ninguém espere que ela substitua a análise de DNA - e seus inventores dizem que essa não é a intenção do teste. O novo método analisa anticorpos. Cada pessoa tem um código de barras único em anticorpos, que pode ser coletado do sangue, da saliva ou de outros fluidos corporais. Anticorpos são proteínas usadas pelo corpo para combater vírus ou realizar "patrulhas" fisiológicas de rotina. "O DNA é um código físico que descreve você... E de, certo modo, seus anticorpos também", explica Vicki Thompson, engenheira química do Idaho National Laboratory, que tem trabalhado com outros pesquisadores para aperfeiçoar o teste pelos últimos 10 anos. Os cientistas dizem que o perfil de um anticorpo pode indicar resultados de maneira mais rápida e barata e pode ser feita em campo, com treinamento mínimo. Administradores do Idaho National Laboratory licenciaram a tecnologia exclusivamente para a Identity Sciences LLC em Alpharetta, na Georgia. Os planos iniciais da Georgia são começar a disponibilizar kits de teste e treinamento para auxiliar no cumprimento da lei, para os laboratórios militares, forenses e médicos ao redor do mundo, na segunda metade de 2009. Ken Haas, vice presidente de marketing, diz que o teste não tem intenção de substituir o exame de DNA, que é reconhecidamente o padrão mais alto de identificação de indivíduos. Mas Haas diz que o valor da catalogação de anticorpos está em ser uma ferramenta de apoio para ajudar a desvendar a cena do crime, identificar traços de sangue ou manchas de várias vítimas ou identificar mais rapidamente partes de corpos num campo de batalha ou numa cena de desastre, como nos ataques de 11 de setembro. Também pode reduzir o número de testes de DNA requeridos em uma investigação, economizando tempo e dinheiro e facilitando a catalogação, ele diz. Resultados de testes de plasma sanguíneo e de sangue seco podem ficar prontos em duas horas, uma fração do tempo necessário para fazer testes similares de DNA. Entretanto, uma grande desvantagem, por enquanto, é a falta de um banco de dados nacional de anticorpos. Essa é uma das razões pelas quais o teste de anticorpos provavelmente não será usado no início de uma investigação para ligar os suspeitos a um crime, ou estabelecer uma provável causa para justificar o pedido de um mandado de prisão. Funcionários da empresa dizem que testes feitos por cientistas forenses em cenas de crime simuladas, em sete locações pelos EUA, produziram resultados positivos e reforçaram a noção de que existem um mercado para o teste. A companhia se recusou a dizer onde os testes ocorreram, mencionando acordos de confidencialidade com os participantes. A empresa ainda não definiu preços para os kits de campo. Mas executivos disseram que seu produto vai ser significantemente mais barato do que o exame de DNA, que poder ser feito por cerca de R$ 1.000 a R$ 6.000 por amostra, porque requer equipamento sofisticado e tempo em laboratório. "Ainda não o vemos como um produto para ser apresentado na corte", diz Gene Venesky, vice-presidente da Identity Sciences. "Mas vemos, sim, como um meio de fazer o caso ir em direção a uma resolução final e legal."Ainda assim, alguns especialistas forenses dizem que esse tipo de teste pode ser inevitável, especialmente se tiver um papel grande na luta contra o crime. "Há muito potencial aqui", afirma Lawrence Kobilinsky, especialista em DNA e presidente do Departamento de Ciência Forense no John Jay College of Criminal Justice, em Nova York. "Sempre que você for capaz de desenvolver um sistema de apoio mais rápido e fácil, isso é uma coisa boa." Mas Kobilinsky e outros alertam que leva tempo para qualquer teste forense novo ganhar aceitação onde mais importa - nas cortes estaduais e federais. Se os novos testes começarem a aparecer nos relatórios policiais, advogados de defesa vão desconfiar de sua validade. "Se esses testes vão ganhar a corte, o que eu acho que é inevitável, eles não será admissíveis como evidência até que se provem confiáveis e precisos", diz Kobinsky. "Minha aposta é que um oficial investigando uma cena de crime vai ser muito cuidadoso ao usar esse teste, se ele não tiver nenhum benefício no litígio."

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